Terminal Rodoviário de Jequié

Na verdade, eu tenho uma dúvida. Não sei ao certo, se quando você partiu, quando você  foi embora para terras estranhas, fui até ao terminal rodoviário me despedir de você.  Dar-te um oi, um abraço.  Desejar-te boa sorte. Um beijo de despedida.  Essa dúvida apenas você poderia me ajudar a tirar. Fico preso ao duelo: eu realmente fiz isso, de fato,  ou em pensamentos?  Amo-te tanto ao ponto de misturar imaginação e realidade.  Não sei, ao certo,  se sou pós-moderno ou esquizofrênico. A única coisa certa de verdade foi a mensagem que me mandou: "estou indo para a Bahia amanhã a tal hora.  Apareça lá para me ver". Lembro que estava com um par de melissas clássicas, uma bermuda jeans claro, uma blusa de manga de botões.   Segurava uma almofada como se estivesse abraçando alguém.  Levava uma mochila nas costas,  além de malas no bagageiro do ônibus. Suas mãos estavam trêmulas e frias. Estava um pouco pálida. Seus familiares e alguns poucos amigos compartilhavam com você de um dos momentos mais marcantes de sua história.  O momento de novos mundos,  histórias,  horizontes. . . Enfim. O momento era como uma imagem retirada de filme de amor-tragédia. Quando se quer algo em profundidade e a vida não te permite ir em frente. Isso é tráfico.  Romeu e Julieta. Pior do que uma despedida são as noites não dormidas, quando se fica a pensar como seria depois no despertar de Romeu e Julieta na eternidade.  Se toda história de amor fosse apenas de final feliz,  não haveria momento de valorização e gratidão por se amar e ter amado. Se todo amor fosse perfeito e não houvesse dor no peito, a música não nos tocaria a alma e nem seria capaz de nos dar a calma ao mais profundo de nosso ser. Tudo bem que junto com a dor de amores não vividos, ficam as vontades de repetir momentos escondidos. Escondidos e camuflados no mais profundo do doce-amargo do querer. Querer te ver novamente em minha frente em carne e osso ainda  nessa vida-matéria, não é simplesmente uma vontade,  é ato de eternidade.  Já pensou quando o cinema, o teatro, os artistas e os filmes retratarem essa despedida não tida? Pense. A realidade pode ser criada,  inventada ou repetida. Não deixe que saíamos dessa vida com essa semente de dúvida intrometida dilacerando todas as vidas das paixões que podem permanecer na escuridão. Venha, to aqui perto dos táxis.  Vendo-te de longe.  Recriando as possibilidades de se voltar nas idades poéticas  das inquietudes da tua alma. Não deixe que sejamos meros números de telefones e contas de redes sociais bloqueados. Arranque tais cadeados e me deixe ir ao teu lado percorrer as terras de Jorge Amado.

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