A Libertação da Feiura

Ela se achava feia. Na verdade, não se sabe ao certo porque a maioria das mulheres tem uma baixa-estima quando o assunto é a própria opinião com relação a beleza. No caso dela, não era diferente. Mesmo em face de tantos elogios dos mais variados tipos de homens, não tinha jeito. Sempre procurava se focar nas partes de seu corpo que não achava um átomo de beleza para se auto-sabotar e colocar-se em uma posição inferior de beleza. Mas como dizem que esta (também) está nos olhos de quem vê, ao se achar levemente atraída por um determinado garoto, o passar dos tempos foi lhe mostrando que ele a admirava e seus elogios e comentários foram, aos poucos, lhe trazendo uma certa atmosfera de tranquilidade. E para testar seus pensamentos, ela sempre lhe provocava dizendo que se achava feia para que ele retrucasse dizendo o contrário. E, claro, suas palavras lhe penetravam os ouvidos. Palavras que tinham efeito de remédio. De certa forma, era como um jogo que ela sempre saia vencendo. O tempo passou. Ele já adulto e ela se tornando mulher. Apaixonaram-se. Viu ela que ele havia se encantado, também, pelo seu peso, pela sua altura, jeito, cultura, marcas, estrias, uma celulite ali, uma TPM lá. Linda mesmo ele a achava quando estava com roupa qualquer dentro de casa em dias comuns e rotineiros. Aqueles cabelos enrolados e presos por um objeto qualquer eram como quadros de artes dos mais conceituados pintores dados de presentes a ele. Apaixonar-se pela beleza estampada é para os amantes-simples-de-alma. Apaixonar-se pelo conjunto é alma-simples-de-amantes. A recíproca era verdadeira! Ela também aprendeu a amar-lhe parte por parte. Pronto! Aquele amor virou arte. Arte que não se admira em qualquer parte. O segredo foi o amor por admiração. Admirar para amar e não para criticar. O amor à diferença é o princípio de um amor-crença. Permitir-se e acreditar são passos para a libertação da feiura que não se vê.  


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