Livro Quebra de Protocolo


QUEBRA DE PROTOCOLO




Um pé na Imaginação, corpos na realidade e almas perdidas e achadas em cidades



















NILSON ROBERTO DE NOVAES ALVES – NRDNA











      O livro Quebra de Protocolo é uma rápida, pequena, mas profunda história-estória de amor. Um romance que se passa na Bahia, nas terras de algumas cidades do interior, especialmente na cidade de Jequié.
            Romance-poético. Assim é denominada a estrutura da história-estória, pois ela é composta de capítulos e, para cada um deles, existe um poema que auxilia da composição do romance.
Escolhemos os termos “história-estória”, porque eles traduzem bem a intenção do livro. História real e Estória imaginária. Livro composto por mais de um autor, pois assumimos que não somos feitos e compostos de discursos e falas apenas nossos.
História e estória porque os termos denotam que temos um pé na realidade e outro na imaginação.
Tenham a certeza de que se trata de um amor real, mas também platónico. Um amor livre ou um amor proibido? Um amor possível ou um amor impedido? Final triste ou feliz?
Adentre em prosas e versos e sinta o que o universo nos mostra, apresenta e sempre nos tenta a ir um pouco mais além.












AGRADECIMENTOS

A Deus;
À Vida;
Às palavras achadas e perdidas;
Às personagens que tiveram a coragem de materializar as suas imagens entre rios e margens na história de cidades, estado e país
Ao nosso contexto que nos deu a possibilidade de amar e ser amado independentemente da idade, idas, vindas e as distâncias de idades.














SUMÁRIO

      I.        Palavras que poetizam
    II.        Almas se conhecem melhor do que corpos
   III.        Conjunto de carnes e ossos
  IV.        Deusa interior – poetizando
    V.        Quebra de Protocolo II – Vontades
  VI.        DECRETO TEU – poetizando
 VII.        Quebra de Protocolo III – A visão
VIII.        Quebra de Protocolo IV – Um Sonho, Um Quarto e Um Pedido
  IX.        Quebra de Protocolo V - A Surpresa
    X.        13 de Julho – Flores e dádivas
  XI.        Quebra de Protocolo VI - O Encontro - Por Ele
 XII.        Ana Steele Sem Hífen e Sem Interrogação
XIII.        Quebra de Protocolo VII - Por Ela
XIV.        Quebra de Protocolo VIII – Surpresas e Sentimentos
XV.        Camisa que Cobria o Teu Corpo
XVI.        Amada da Minha Alma
XVII.        Quebra de Protocolo IX - Risos, Gemidos, Prazer e a Dor de uma despedida não realizada
XVIII.        Meus amores em mim mesmo
XIX.        Quebra de Protocolo - Versos e fatos de um poeta largado em quarto de hotel
XX.        Quebra de protocolo X – Justificativa
XXI.        O que sinto não tem nome
XXII.        Quebra de Protocolo XI – Surpresas e Destinos
XXIII.        Vontade de sobrevivência
XXIV.        A vida exige que se seja forte
XXV.        Ideias traduzidas em palavras
XXVI.        Quebra de Protocolo - Rascunho do Final
XXVII.        Psicorretrato da Alma calma finalizando e poetizando












Palavras que poetizam

“Almas se conhecem melhor do que corpos”

Assim, penso. Ao dormir, nossas almas vão para lugares além. Sabe quando amamos ou odiamos alguém, ao ver pela primeira vez? Pois, a psicanálise afirma que isso é um processo de transferência devido a vivências passadas. Eu, poeta de meu tempo, creio que isso se deva ao fato de nossas almas virem antes de nós mesmos, digo para habitarem nossos corpos-matéria. Alma é espírito, ser imaterial. Nossas almas são como chaves e fechaduras. Elas são muitas ou tantas. Basta saber a chave certa, e teremos todas as portas abertas.
De todos os amores, prefiro ficar com a paixão. A paixão é o fogo que alimenta corpos, almas e desejos. Pare de alimentá-la e tudo se apaga. Amor sem paixão é como rio sem água, fogo sem calma, fartura sem fome.
A matéria é apenas um acerto de contas das almas ou uma tentativa de busca de equilíbrio entre o visível e o invisível.
Fico ao deslumbre do que não vejo, do que não compreendo, do que, por meio de remendos, vou me perdendo entre pontos e vírgulas. A vida é um chuvisco. A morte é um aprisco. A eternidade é um risco.
Viver entre a fantasia e a realidade é uma forma de fugir dos perigos que as idades que, tentam nos prender em diferentes cidades, dentro de nós mesmos se impõem.


Ela não é apenas um conjunto de carnes e ossos
Ela é a materialização de algo ainda não descoberto.... vai muito além da própria beleza
O seu corpo não nasceu. Foi criado pela própria Afrodite!
Corpo de menina escondido e disfarçado em traços de mulher

Beleza que camufla desejos de uma ninfa adulta, livre e destemida
QUANDO BEIJA IMPROVISA MUNDOS MOLHADOS
Quando ama, ama a si mesma, pois seu prazer é a sua liberdade
Quando livre, perde-se em outros braços....outras paixões

Seu corpo é rochedo e veludo perdido em curvas de tentações
De onde emana o seu prazer MAIOR também brota gemidos doces e suaves
Despedir-se de um mundo solteiro é entrar em outro pela porta proibida
Imaginar e lembrar fazem seu corpo abstrato e forte estremecer em delírios

Seu corpo é forte como a morte, mas seu querer é fraco como um mortal
Sua carne se trai quando desafiada por ele
Não há vergonha, medo, ressentimento

Deixando-se, permitindo-se, evolvendo-se quando está com ele

Quebra de Protocolo I – Desabafos

Olhe, eu não vim aqui para bagunçar a sua vida e nem para ser pedra despida em seu caminho. Eu não vim aqui para fazer de doces lembranças e vivências flores murchas e cheias de espinhos. Não passei aqui para te pedir perdão, para me desculpar ou fazer disso um instrumento de santificação e redenção. Passei para tentar tirar através da arte de poetizar a dor que habita meu peito, pensamentos e leito, e dias, e noites. Sei que da mesma forma que começou, terminou. E que, por mais que pareça besteira, tentar segurar os ponteiros do tempo e fazê-los parar e se eternizar a não ter que tomar decisões tão árduas deveria ser possível ao visível e aos mortais como eu. Eu não vim aqui para te pedir um encontro, um selo ou acorrentar a tua alma. Só queria, com um pouco de calma, aliviar a minha alma que tanto por ti se encantou, se apaixonou e se amou. Já disse em outro poema que se o teu perdão tivesse preço, eu ficaria sem endereço, sem apreço, sem coração para tê-lo em minhas mãos. Não se sabe o que dói mais: deixar ser preso por outros cais. Cais original, primário ou sentir a dor de fracassar frente a um amor ardente, puro e verdadeiro. Pena tenho de mim mesmo por não puder ter sido inteiro, completo e certeiro em decisões sem portas. Eu não vim aqui expressar sentimentos de comiseração nem mexer contigo sem razão. Juro que não vim aqui te fazer lembrar que o mais puro sangue teu em mim escorreu e me penetrou tão profundamente que há ainda partículas lindas e quentes atordoando a minha mente e que me fazem te ver rindo e bela à espera, talvez, do sinal se abrir para que você pudesse avançar em um Siena Branco de vidro escuro e ir a algum lugar sem rumo e sem direção. Confesso que ir ao mais profundo do teu quarto lilás e escuro foi o ato mais lindo e seguro que de ti pude ter como prova de amor a mim doado. Fernando Pessoa fala de se abrir e fechar ciclos e que na vida isso é natural. Mas como posso, então, te mostrar que tive que ir, além disso, e que por conta de dois pedidos empunhados em minha cabeça como arma sem graça e sem coração obrigado fui, então, deixar um ciclo largado no chão à espera de um perdão e de uma compreensão?   Se gritar resolvesse alguma coisa, juro que gritaria  teu nome em um microfone na Avenida Rio Branco para que lá daquele canto, através de um quadro pintado por tuas mãos tu pudesse me ver e ouvir largado um tanto, preso em tuas pinceladas aguçadas e embaralhadas. Juro que não há dor maior e nem punição pior do que a dor de pensamento. Tormento. E o não entendimento da parte alheia. O que me traz um pouco de calma é olhar para o céu e te ver brilhando ora como sol, ora como lua. É saber que a minha estrela de Davi pintada por ti está aqui, além do meu braço, pendurada em meu espaço.  Sem fala e com silêncio, ouço muito de ti e do teu sucesso. Ufffa. Com poucas linhas de ousadia e poesia me faço um pouco mais aliviado...
 



Deusa interior – poetizando
Entre o corpo, a alma e o espírito se localiza a Deusa interior de cada um.
Despida de cor, de dor e sabor.
Bailarina sem confete. Dança a seu próprio som, a seu próprio ritmo. Não precisa de aplausos.
Fala o que quer, faz o que deseja. Tudo é dela. Tudo se traduz por meio dela.

Seu alimento é tudo que for reprimido
Quanto mais se reprime, mas ela se requebra e quebra.
Ela é como uma chama de fogo, como uma gota d’água, um grão de arreia.
Uma partícula de ar. Um mapa de uma cidade, de uma pessoa.

Tudo gira em torno dela.
A Deusa interior já nasce com a gente.
Não tem pra onde correr.
Às vezes é inculta, às vezes é bela.

Revela-se durante a noite sombria. Em sono profundo aparece.
Ora disfarçada de sonho, ora de pesadelo.
Anda no fundo do poço como criança a brincar.

Vem e volta como onda. Leva o que na praia se joga e devolve sem questionar. 


  
Quebra de Protocolo II – Vontades


AFFF. Confesso que tenho tido muita vontade de te ver, mas é uma vontade diferente, doida, louca. É como se a música no carro me guiasse e quisesse me dizer qual esquina virar, qual placa seguir ou qual carro eu devesse ultrapassar ou quando e onde meu pé gélido e apressado devesse pisar um pouco mais forte no acelerador para que eu pudesse te fitar. Observar-te de longe, de maneira singular, através de um vidro escurecido ora pela dor da saudade, ora pela vontade de transparecer e te fazer saber que eu te vi, ora por uma película escura, mas a impressão que eu tenho é que quem me vê e faz tudo isso aí é você. Não te vejo, mas te percebo, te sinto de alguma forma que não sei bem como é, pois não é, talvez, de forma física, mas uma forma transmutada de um pouco de tudo e um pouco de nada. Se existe amor à primeira vista, havemos de confessar e admitir que esse tipo de sensação não parte de um sentimento de comiseração, mas da saudade natural das entrelinhas de coisas vividas e percebidas, talvez esquecidas ao consciente da mente comum e ordinária, saudade natural do que se viveu em dia normal para os outros, mas que para nós, eu e você, dentro das molduras daquele quadro que aprisionou e transformou o banal em algo que saiu do carnal e se configurou em um sentimento angelical do tamanho de um mundo meu e teu. Haja vista que tu me procuraste antes de me dizer adeus e tentou justificar uma partida, a retida de uma vida que estava ainda em seus primeiros momentos de gestação, sofrida, mas vivida até mesmo caso essa tal despedida viesse acontecer. Não sei o porquê, ainda, tento brigar contra a vontade de virar o volante e desprezar esse sentimento de ir ruas a dentro que nem sei aonde vão parar. Bem lá no fundo, não importa o que o mundo vai pensar de mim caso eu vá. Tenho ido. Atendido a essas minhas vontades porque sinto que, mais cedo ou mais tarde, eu vou esbarar em você ou você em mim, talvez na fila de um banco, ou no estacionamento do shopping. Quando acontecer, darei ordem ao chão para que ele se abra e sem medo de um perdão eu vou me desfazendo em pedaços ou grãos de átomos e irei me diluindo e sumindo de tua visão deixando apenas o meu cheiro de Quasar. Assim, aparecer para ti em uma vitrine, materializado e estampado com uma camisa de botão, lindo e sorridente para que possas juntar o meu cheiro no ar, a camisa de botão e no teu corpo encarnar de forma bem real para que tu possas ver que essa tal vontade de rever um amor-alguém não é loucura ou imaginação banal. Alguns diriam que é apenas vontade platônica ou uma forma de cotejar com os pensamentos teus e de um amor-além, distante, porém latente e iminente, doido para pensar nele e imaginá-lo alegre, sorridente e sem algemas ou correntes, perdido nos braços e laços de um amor-comum. Uma vontade maior que eu. Uma vontade maior que o teu orgulho, um orgulho que não é nem meu nem teu. É da vida não vivida. É uma vontade perdida, mas que lá no fundo dá uma alegria sem medida e que traz um riso alegre no canto do rosto e um balançar de cabeça dizendo “não” e que nem percebemos que damos quando somos furtados por essa tal “vontade de rever um amor-lembrança”. Quem nos vê nesse momento não tem o poder de saber que naquele instante não estamos ali em pensamento, mas que estamos lá no passado arrebatados por um fragmento de sussurro arrancado ou por um primeiro-beijo-roubado-noturno, mas pensado e maquinado por dias e noites. Ai que vontade de te roubar de ti.  Ops, hora de trocar a música do carro e voltar para o esparro de pensar que a vida me deu de presente.



DECRETO TEU - poetizando

Saudades de você!
Por falta, ontem te vi.
Parado no sinal, nem se deu conta de que estava tão perto de mim
Teu olhar distante parecia refletir mares já dantes navegados.

Caminhos afastados por corpos quebrados de gente de todo o lado
Mente arrebatada e tomada com tanta violência
Saudade da música, da mensagem de bom dia, da vivência  de consciência macia
Da flor dada e amassada em um livro e presa no vidro da alma.

Saudades dos esconderijos e do deslisar de cada momento tempo
Não se sabe ao certo quem  ou o que criou a saudade
Acredita-se que a saudade é que cria o que ou quem além do além
Da mesma forma que chegou, saiu.

Da mesma forma que se levantou e gritou
Calou e chorou
SAUDADE,

Ei! Apreveita que tá tão perto e decerto leva contigo teu decreto.




Entre tantas idas e vindas embebecidas pelas obrigações diárias de se cumprir horários, prazos e atendimentos, fui tomado por uma visão estranha, creio eu que estivesse ficando louco, pois, de tanto ter vivido pouco nos últimos dois anos, aquela imagem me fez duvidar do meu próprio olhar. Como isso pode está acontecendo? Se era verdade ou não, deveria ser pelo sentimento de comiseração que ainda insistia em ser perfeito e insistia em ficar brincando no meu peito em noites, dias e leitos. Como a minha cidade era cheia de tudo e cheia de nada, lá estava eu cruzando aquela grande e magnífica avenida por onde sempre passava e por onde eu sempre era surpreendido pelo próprio nada que ali habitava. Quando a oscilação de meu olhar foi capturada  por uma imagem que era feita de tudo e aniquilava, por um momento santo, aquele vazio e os resquícios do nada tão doloroso e frio. Seria Ela andando? Praticando atividade física? Pensei assim rapidamente enquanto trocava de marcha e de direção naquela avenida dupla e de mão única. Todos os traços que vi naquela imagem me lembravam em perfeição que eu estava certo e que meu pensamento não estava na contra-mão do momento. Como em Matrix, tudo pareceu tão parado e tão em câmera lenta que minha alegria quase se arrebenta de tanto saltitar. Seu cabelo escuro, “liso” e razoavelmente longo e curto, seu jeito de pisar o chão, de mexer os braços, de olhar para os lados, de sorrir, aquela pintinha no pescoço, sua pele e dorso. Não! Apesar de ter sido tentando, eu não olhei para trás, pois sabia que não poderia ser ela. Aquilo era muita loucura poética brincando de ser alegre. Eu sabia que ela tinha ido embora sem se despedir entre o escurecer do dia e o nascer da aurora. Ela teve que partir juntando desculpas, farpas e agulhas e o fato de ter que ajudar seu irmão que adoecera. Fora para longe. Então, tomei outro caminho para não correr o risco de voltar pelo outro lado da via levando meu coração a ser atropelado novamente na contra-mão. Porém, confesso que a vontade era de ter parado, deixado toda  meninice humana de lado, estacionado o carro um pouco mais à frente e ficar parado com os braços cruzados e com óculos escuros para vê-la vir em minha direção, olhar para ela e sem palavras de ambas as partes trocar um abraço licencioso e belo. Refrigerar a alma e pigmentar nossos corações com partículas de sangue vermelho e aliviar-se de imagens no espelho. Dar vida a elas e deixá-las ir para onde quer o por vir. Era ter com ela um breve momento vida a dentro para se ser maior do que crenças, traumas e amarras e rir da vida e saber que mais se valeu à pena ter sofrido a dor de um amor-romeu e ter uma bela história para se contar e lembrar pela eternidade do que viver da mesmice de um amor qualquer. Saber que viver um amor comum todos podem viver, mas que ir de encontro a todas às barreiras para se ser feliz só nós fomos. Sim! Que fomos Montecchios e Capuletos,  Romeu e Julieta! Quebrar protocolo é saber que um dia, ainda, eu possa te dizer tudo isso deitado em seu colo ou através de um simples sorriso quando te ver de verdade por uma das avenidas da cidade ou em um encontro trazido pelo tempo ou pela maturidade da idade dos que nos amam. ( ... )




Ao despertar, percebi que estava em uma sala totalmente branca. Havia uma jovem mulher sentada de costas para a única entrada que havia ali naquela sala. Em frente a ela também havia uma poltrona vazia, mas ao mesmo tempo que era majestosa, também era digna de um rei ou pronta para ser ocupada por alguém prestes a ser entrevistado psicanaliticamente ou apenas ser ouvido, desabafar alguma coisa. Os cabelos daquela menina-mulher eram negros e longos. Eram tão perfeitamente delineados que dava aparência de terem sido arrumados e penteados em uma espécie de programa de computação ou ter recebido toque final do próprio criador da beleza suprema. Pude perceber que seu braço estava jogado em um dos lados da poltrona, deixando seu pulso totalmente à mostra em sinal de estar completamente relaxada e à vontade. Parecia-me que ela já estava à minha espera e já havia reservado seu horário há tempo e nem havia me convidado ou me avisado. Ela não me deixou escolhas para recusar a minha entrada e permanência naquele espaço. Logo, tive a sensação de medo profundo, pois eu não sabia se ela estava ali disfarçada em nome da morte e pronta para levar consigo meu último fôlego de vida, se para me julgar pelo meus pecados de amor cometidos durante meus momentos de devaneio e vontade profunda ou se para fazer de todos os meus medos e anseios mais profundos um fardo leve e suave capaz de me aliviar as minhas sujeiras mais inconscientemente escondidas e desarmar a bomba relógio de vontades das mais variantes camadas de toda sorte de desejos ou, se por fim, embrulhar o meu corpo, alma e espírito e transformar o que restara de mim em uma caixa preta e, dali mesmo, arremessar ceu abaixo e me fazer morar, para sempre, no submundo  escuro dos mares esquecidos e não navegados. Juro. Eu realmente não sabia o que aquela mulher estava fazendo ali naquela sala tão esquadrinhada e preparada para aquele momento que, bem a dentro do meu ser, eu sabia que um dia estaríamos ali. Não havia saída, literalmente. Eu tinha que estar diante dela e ver quem ela era, o que queria de mim. Então, depois de pensar tudo isso em questão de segundos, dei o primeiro passo quando minha mente me impulsionava ir adiante e o meu corpo humano queria congelar minhas pernas e emoções. Mas apesar de todo medo que me envolvia, eu sentia um cheiro já conhecido pela minha alma. Uma fragrância que me deixava calmo e alegre como uma criança a brincar. Ao dar o segundo passo, vi que ela passara a mão em sua testa como se retirasse a franja do rosto para deixar seu olho esquerdo totalmente livre para me fitar de um jeito que só as descendentes das ninfas mais evoluídas na arte de amar dominavam com destreza e excelência. Neste instante fui tomado por uma luz que vinha do teto que era de estilo rebaixado e decorado com um grande espelho dividido em quadrados de madeira entalhados à mão e vi uma imagem presa naquele espelho. Uma imagem de um casal totalmente despido e envolvido como se descansasse de um longo e gostoso momento de amor. Enquanto voltava meus olhos para o labirinto que dava acesso ao caminho que levava àquela poltrona, percebi que ela já me olhava há muito pelo canto do olho esquerdo do qual retirara o lindo cabelo momentos antes. Engoli a saliva para tentar aliviar e disfarçar meu tamanho nervosismo, mas já era tarde. Como uma canção, escuto sua voz me chamando pelo meu NOME e pedindo para eu me sentar e ficar à vontade e sem medos. Logo as paredes daquela sala branca, uma a uma, foram sendo tomadas por telas de quadros pintados à mão. Enquanto o teto mostrava uma imagem presa no espelho, os quadros nas demais paredes mostravam cenas vivas como em pequenos vídeos feitos e editados, mostrando os mais variados e importantes momentos de felicidade que Ela e seu Amor passara. Senti a sua mão macia e cálida tocar o meu rosto. Neste momento senti uma paz tão profunda que foi capaz de purificar a minha alma imunda e insegura, mas não pude ver o seu rosto, ainda, pois ela me abraçara e me envolvia de tão forma que não sabia mais se estávamos QUEBRANDO UM PROTOCOLO ou se era noite ou dia, se sonho ou se realidade. Pude contemplar seu cheiro mais de perto e de maneira mais calma unir-me à sua alma como um verso à espera de uma poesia. Vi que não usava sapatos ou sandálias. Estava com os pés nus.  Dava forma a um lindo vestido branco que adornava cada forma de seu corpo. Estava totalmente envolta e protejida por sua pureza física e interior. Vi em suas costas traços que revelavam que ela estava transitando ora entre ser menina, ora em ser mulher. Senti as batidas de seu coração conduzirem as batidas de meu em total harmonia como se fosse ela um maestro regendo todo meu ser, mas eu ainda não era capaz de entender porque eu estava ali. Então, fui conduzido a um quadro que ela mesma pintara e neste instante a sala toda se fez turva como uma noite sem luar, sem estrelas, luzes ou holofotes e ela me dizia: este quadro mostra nossas GRANDES LEMBRANÇAS EM TÃO PEQUENOS DETALHES  “INSIGNIFICANTES” e uma dor logo me tomou e quis sair correndo sem direção, mas me dei conta de que já não havia mais porta ou saída. Eu estava preso em mim mesmo. Na outra parede ela me mostrou um quadro que mais parecia uma estrada. Vi ali que era apresentado a  porta de acesso ao seu bem maior, à sua fonte de prazer e porta de vida. Logo, ela me diz. Tá vendo? Esta pintura é feita com meu próprio sangue carmesim onde tu foste o pincel maior e disse: TOME A MINHA PERSONALIDADE E DEVORE-ME EM ENTENDIMENTO. Quis me jogar para dentro, mas já não havia passagem. Eu me senti tonto, pois estava tomado por um mix de sentimentos. Perguntei:Por que sentes tanto rancor? Que mal te fiz eu? E logo estava diante de uma tela em branco. Sim. Eu pude ver o seu rosto por inteiro, no quadro. Ela já não estava mais ali ao meu lado. Naquele quadro vivo eu apenas via ela tentando me dizer algo, mas apesar de seu esforço em falar e o meu em tentar ouvir não fomos capazes de dizer ou retribuir um simples adeus. Então fui despertado por meu inconsciente que já gritava em prantos, eu estava completamento banhado por um suor frio e escandescente  e entendi que  tínhamos quebrado um protocolo. Na verdade era pela quarta vez que acontecera. Isso era algo que não deveria acontecer nunca mais. Estávamos juntos no mesmo sonho. Ela linda e bela como sempre com cheiro de amor, exalando prazeres e desejos de me ter e eu desejando tê-la presa junto a mim. Tinha que ser sonho e nada mais. Aquilo só poderia representar nossos desejos mais ardentes e, para sempre, proibidos. Já estávamos em outros caminhos e ninhos e aconchegos e brancos e negros. Andávamos como o sol e a lua, distantes. Separados pelo V de uma bifurcação de nossa cidade. Ai que saudade de ti, amada de minha alma. Ai que raiva de mim mesmo por possuir um inconsciente tão vadio e bagunceiro que não me deixa em paz e não quer me deixar ser inteiro me trazendo sonhos e pensamentos que não posso ter por dentro. O que quer que faça mais por ti? Quê tatue teu nome em meu braço? Eu sei que pede ao Criador Maior que te livre de mim e te traga um amor maior, mas que culpa tenho eu se quando penso que morri, eu renasço como a Fênix a ti desejar? Não sei se daria conta para fazer disso tudo uma simples lembrança presa em um quadro no espelho. Sonhos sempre revelam algo. E sinceramente? Creio piamente que um dia isso acontecerá (risos) e então, não poderá mais fugir como fizera neste sonho. Farei você se despedir de mim e libertar a minha alma ainda que isso te custe lágrimas nos olhos através  de um Sonho, em um Quarto  e um Pedido feito que não sabemos o que é até então.

13 de Julho – Flores e dádivas
Te vejo sempre que vem aqui neste pequeno espaço. Juro que não o faço de propósito
Rever é lembrar que sempre valeu à pena te amar. Te chamar é o desejo do meu coração
Enquanto não o faço, vou ficando aqui no meu regaço, tentando desatar meus laços e embaraços
Zelo por tua liberdade. Não precisa fugir! Não serei pedra de tropeço nem atrapalharei o teu começo
E quando nada mais te restar, eu estarei aqui para te amparar. Pode chamar, vou esperar.
Duvido muito que, às vezes, não se lembre de mim, oh doce e bela flor do meu jardim.
Este Romeu teu jamais será museu de tristeza e solidão. Não! Trago-te em minha imensidão.
Julho me lembra, sempre, uma planta te dada como sinal de novas estradas e caminhadas.
Uns desejam te ter por orgulho e prazer, mas poucos te querem por merecer!
Lugar de amor impossível não é apenas em livro ou filme de amor. Não! É em Careless Whisper!
Hoje, é dia de celebrar a luz de Deus que habita em ti, menina enviada dos céus!
O dia é seu e de mais ninguém. Mensagem boa é aquela codificada que só a Amada sabe onde encontrar!
Ainda haverá tempo em que o vento  se renderá e te levará para pensamentos distantes e perturbantes
Início, meio e fim é apenas uma metáfora que te faz estar em mares verdejantes.
Não pense que o amor morre em paixões errantes.
Diante da vida só o Amor pode ser como antes. Do mesmo jeitinho a crescer pelo caminho.
Te ver em sonhos é a prova maior desse carinho.
Enquanto te vejo feliz com seus amantes, vou me desfazendo em ritmos e falsos diamantes.
Que oh Majestoso e Poderoso te traga o que a tua alma mais deseja.
Um dia a mais é o melhor presente estampado em tua alegria e em teus descendentes.
E saber aproveitar é deleitar-se em pequenos fragmentos de tempo que te fazem ser tão Mulher
Rindo por você. Penso que assim que tem que ser. Amar é desejar que seja FELIZ.
Oh, menina dona de tanta cicatriz, seja forte e espere que o sucesso por ti vive!




A quebra nos remete a algo forçado e protocolo a algo do tipo padrão, processo, etapas e regras. Sendo assim, aqui, quebrar protocolo significa fazer algo além do script, algo necessário, algo extra que nos leva a completude de algo. Dizer-se-ia expressar-se através das palavras não ditas a quem se queria que soubesse de alguma forma. Pois, eu sabia que ela, mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, também faria uso da ousadia nata de se fazer um pouco livre através  de uma quebra de regras, desabafando e atingindo de certo modo prazer naquilo. A regra é simples:. “não se pode manter nenhum tipo de contato com um amor proibido um amor já vivido e quase que esquecido, e quem sabe, já há muito substituído”. Lá estávamos eu e o meu pensamento distantes, vagueando e oscilando ora entre o mundo real ora entre um gole de Whisky e um trago de cigarro sendo tragado pelos afazeres diários e cansativos, quando sou surpreendido pela vibração do meu aparelho celular. Após deixar meu cigarro em um pequeno cinzeiro de vidro transparente e o meu copo com a sua segunda dose de Whisky ainda pela metade, fitei aquele número por alguns pequenos segundos que mais pareciam eternidades. Demorei-me um pouco para me lembrar daquele número e, de repente, pensei que não poderia ser o número dela. Mas era sim. Resolvi não atender naquele momento. Afastei-me um pouco daquele cenário quando o celular começava a receber SMS. Antes de iniciar as leituras das mensagens puder perceber que elas clamavam por minha atenção e, de certo jeito, eu sentia sua voz trêmula e triste quando anunciava que ela tinha sofrido uma grande perda. A perda de mais um amor. O amor inocente e verdadeiro que só os lanços de sangue e a pureza mais profunda das relações humanas podem trazer. Um amor incomparável e que dinheiro nenhum poderia ousar dizer que poderia pagar por. Explicava também que uma de suas razões pelas quais saíra de minha vida sem dizer um simples adeus era o fato de ter que mudar de cidade e focar naquele que era por direito maior um membro se dua família. Fiquei extremamente abatido por aquela notícia e, sem saber o que dizer, fui me sentando e me recordando de que só mais um pouco de álcool e nicotina poderia me acalmar um pouco e me fazer encontrar o caminho das palavras certas a serem ditas naquele momento. Não pude encontrar tal caminho ou mesmo me encontrar. Todos os caminhos naquele instante mais me pareciam abismos. As palavras se encontravam em desuso ou separadas em sílabas mal formadas  e sem sentido real e completo. O que mais me perturbara não era ouvir da boca da mulher amada tal notícia. O que mexeu com o mais profundo do meu ser eram as perguntas: “Por que você resolveu falar comigo depois de tanto tempo, meu amor?” “O que te levou a pensar em mim?” “ Por que não me deste a chance de ser o teu confidente e o teu abrigo-amigo quando ainda estava passando por momentos tão turvos e dolorosos?” Deixando um pouco tais perguntas um pouco de lado, resolvi focar nos beijos roubados e ousados e em situações outras para arrancar os sorrisos adormecidos e apagados pelas tristezas de outrora. Sabes tu que nascemos para seguir regras, mas também, para quebrar protocolos. Tão perto e tão distantes. Nada em nossas vidas é como fora antes. Eu não vou negar que sou louco por você e, sei que lá no fundo de nossos mundos, talvez, você sinta o mesmo. Mas não estou preocupado em atormentar teus pensamentos ou arrancar um sorriso-menino por conta de uma declaração de amor. Seja do jeito que for. O que quero mesmo é que você seja forte, não forte como a morte, mas forte com os instrumentos que só a sabedoria de um Deus hábil e inteligente foi capaz de te dar. Deixe-me ir me distraindo e fazendo coisas de um menino-malino e teimoso. Deixe-me indo me recompondo e consertando os pedaços desta quebra de protocolo e guardando as surpresas que a mim foram dadas.






Depois de alguns longos anos de silêncio e distanciamento total, mais uma surpresa estava prestes a acontecer na vida daquele casal que há muito havia sido cúmplice de um crime quase que perfeito de amor. O crime era um vassalo e uma princesa loucos de amor um pelo outro que haviam se apaixonado e vivido um momento de amor tão lindo e perfeito que o próprio ser criador dos sentimentos se orgulhou de tê-los criados foram separados por um golpe quase que fatal dos invejosos e impetuosos seres habitantes de terras longínquas da impossibilidade de se deixar ser feliz. Terra fértil que criou murros, barreiras vivas, espinhos e algumas espécies de rancor e dor.  Houve na cidade de Paris, na França, um grande encontro de artistas das mais diversas áreas da Arte Contemporânea no ano de 2018 para a exibição de quadros fotográficos, pinturas em telas, apreciação de poemas, poesias, de obras de artes e tudo quanto mais sobre a arte da abstração. Ali estavam os mais renomados nomes da Arte Moderna, assim como também, nomes de artistas aspirantes e amadores que eram artistas pelo simples fato de contemplar a Arte e fazer dela casa de morada para aqueles que encontram no mundo da abstração um pouco de distração e escapismo do mundo real e doloroso. O lugar era o  Museu do Louvre,  instalado no Palácio do Louvre, que é um dos maiores e mais famosos museus do mundo, fica no centro da cidade, entre o Rio Sena e à Rua de Rival dos Champs-Élysées. Ao chegar naquela cidade ele logo se dirigiu ao Hotel Best Western Premier Louvre Saint Honore que era bem próximo ao local do evento. Cansado, pois havia saído de uma série de cerimônias de lançamento, no Brasil, de um de seus mais recentes livros - O SILÊNCIO, romance bem recebido pela crítica por se tratar do poder do silêncio nas relações humanas. Naquela tarde em Paris fazia frio, pois o inverno já se aproximava do continente europeu, assim como, a ansiedade de estar em um evento artístico como aquele, único para qualquer artista, o "Nuit Blanche", Noite Branca, em Português. À noite, recebera a ligação de um amigo também brasileiro que morava naquela cidade há muito, Léo CabelloGrand, intérprete da Língua Inglesa, convidando-o para conhecer um pouco mais sobre aquela cidade linda e ponto principal da história dos mundos. Passearam pelo centro, contemplando a arquitetura e os mais variados tipos de pessoas e costumes. Em um café próximo ao Hotel onde estava hospedado, os dois davam muitas risadas e lembravam da vida que viveram quando jovens na cidade de Jequié, interior da Bahia, conhecida como Cidade Sol. Tempos em que brincavam de futebol no meio da rua, empinavam pipas. Lembravam do tempo do colegial e o tempo das paqueras e descobertas do amor. Entre uma bebida e outra, eles falavam de quanto tudo vale à pena quando a alma não é pequena e de que devemos procurar ser felizes enquanto se tem tempo, saúde e oportunidade. De volta ao hotel e após fazer algumas ligações para o Brasil, ele se deita para relaxar um pouco porque sabia que o dia seguinte lhe preparava grandes emoções. Ao despertar, toma café apressadamente, imaginando o que lhe viria depois. Solicita que o carro do Hotel o leve até o local do evento. Ao passar pelo corredor que dava acesso ao saguão de entrada, ele sente uma fragrância que lhe transporta, imediatamente, a uma cena vivida em seu passado que, por conta do tempo e afazeres, se fazia adormecida, mas que, às vezes, surgia repentinamente em seus pensamento lhe transportando  a momentos de amor e loucura que foram eternizados na história da paixão. Sim, aquele cheiro o fazia lembrar daquele amor. A cena era a primeira. Ela o fazia lembrar de cada detalhe daquela história. Lembrava da árvore e do local em que escolheu para estacionar o carro, do dia frio e escurecido pelo final de tarde, dos risos, da música escolhida propositalmente para fazer o cenário parecer perfeito e tentar atingir o coração daquele amor de menina-mulher dos lábios de mel e alma pura, do carinho dado e recebido, do toque nas mãos, do beijo roubado, da rosa vermelha dada como gesto de amor e selo de lealdade, do cheiro de Quasar borrifado no braço ao se despedirem, da cumplicidade (...). De volta à realidade, ele passara o dia apresentando seus livros e, também, conhecendo obras dos mais variados gêneros. Encontrou amigos. Tirou fotos, recebeu e deu autógrafos. Um momento extraordinário para qualquer artista. Fora aproveitar mais uma noite parisiense com autores e amigos. Participou de um sarau que se estendeu até altas horas daquela noite e foi repousar um já pouco tarde. Na manhã seguinte seria o momento de entrega de prêmios a participantes inscritos sobre diversas modalidades. Aquele seria seu último dia naquele país. Acordou um pouco atrasado e logo se dirigiu para o salão de entrega de certificados e prêmios. Ao descer do táxi, percebeu que seu nome acabara de ser anunciado, mas já era tarde. Não haveria tempo de passar pelo gigantesco salão lotado de pessoas, repórteres, convidados e chegar até às mesas onde estavam os juízes do evento. Lamentando por não ter chegado a tempo, senta-se ao final da sala e observa todos à sua volta. Percebe que naquele instante enquanto se distraíra com os holofotes do momento em que uma obra de arte que havia sido premiada pertencia a uma jovem mulher de traços brasileiros, mas que não foi chamada pelo seu nome real e sim pelo seu nome artístico, DEUSA INTERIOR. Ela recebera o prêmio, agradeceu e logo se dirigiu à saída daquele lugar. Era uma mulher magra, alta, de cabelos lisos e loiros. Aquele rosto veio junto com o mesmo cheiro que havia sentido antes no hotel, no dia anterior. Então, logo se deu conta de que aquela mulher era sim o seu grande amor. Ela estava ali o tempo todo sem que ambos soubessem da presença um do outro. Então, ele abre sua bolsa e procura pelo folder do evento na tentativa de saber pelo nome artístico quem realmente era aquela mulher. Claro. Pelo nome real ele tinha certeza de que era ela. O coração dele pulsava como se estivesse recebendo altas doses de adrenalina. Seu sangue mais parecia feito de endorfina. Então, levanta-se deixando cair a sua bolsa esparramando diversos papeis e rascunhos pelo chão e sai correndo em direção a ela, mas enquanto ele procurava pelo folder, ela havia entrado em seu táxi e partido. Com os vidros fechados ela não pode ouvi-lo gritar seu nome. Ela havia ido para o aeroporto. Parado de pé em frente ao salão de cerimônias ele passava a mão em seu cabelo como gesto de lamentação. Senta-se nas escadarias, lamentando a perda daquela oportunidade. Aquele foi o momento em que eles se encontram sem se encontrar ou saber da presença do outro depois de tantos anos.

Ana Steele Sem Hífen e Sem Interrogação

 

 

Acalme-se. Eu não tenho culpa de você está aqui novamente, desse jeito, sem avisar. Chegou assim tão de repente. Como passou pela minha segurança? Você vai me perdoar por um pequeno detalhe. Não diga nada. Apenas coloque suas mão para trás em sinal de submissão e espere por mim. Sim! Aproximo-me de você mais uma vez. Sinto o teu cheiro e o cheiro de tua escrava a quem te guia e te domina. Selo-te primeiro  com um beijo na testa. Ordeno para que feche os olhos e controle toda sorte de emoção. Ainda com as mãos para trás e com a sensação de que elas estão amarradas, selo a tua boca com um pequeno e rápido beijo, porém suave e relaxador. Mesmo em posse da informação de que já és comprometida, beijo-te o pescoço e sinto tua carne tremer de emoção, sinto suas pernas bambearem, mas você se mantém firme ou quase isso. Abra os olhos! Quero que me abrace bem forte por longos  segundos e me der aquele velho sorriso novo que tanto brilhou quando eu te dominava sem te dominar. Sem cordas estavas presa a mim. Gostava da minha generosidade e amava tomar-me a convites de saídas pelas noites. Entrava em mim ora pela boca ora pela  fumaça do cigarro que queimava vagarosamente entre meus dedos e me consumia de prazer, não só o proporcionado pela nicotina e seus alcaloides, mas também, o de ver você brincando de ser ninfa e deslizar em minhas vontades e me tratar de senhor Grey. Claro, eu sei que ainda lembra de nossas loucuras e aventuras. Só não gostava muito do fato de ter você me dando ordens ou conselho sobre o que eu deveria fazer sobre coisas e pessoas minhas. O que eu amava mesmo era a liberdade que você me entregava para poder te tratar como uma puta e realizar toda sorte de experimento sentimental e corporal. Amava poder te tratar como rainha te levando do ceu ao inferno em loucuras de prazer.  Como quadro, não me incomodava nenhum pouco em ser observado por ti. Você tentava entender meus vários personagens e eu, como mágico, deixa apenas algumas poucas pistas para que você achasse, apenas achasse, que poderia ter a mínima chance de me decifrar. No fundo eu sabia que gostava de ficar presa aos meus encantamentos. Eu sabia. Sabia também que eu era o tipo de homem errado para você, que como muitas, jugam-se mulheres certas, ideias para relacionamentos. Acredito que era isso que mais te fazia ficar presa a mim. Ficar confusa em pensamento e travar lutas internas e profundas, duelando ora entre sentimentos e razão ora entre a vontade profunda de se entregar a todo tipo de sorte de vontades da carde e da alma que apenas eu, isso mesmo, apenas eu poderia te proporcionar. Você gostava como eu te tratava te expondo ao mundo. Te levava a mundos sagrados e profundos. Te levava a prazeres sacros e imundos que te fazia tremer de alto a baixo. A certeza de saber tudo isso de você me permitia te levar cada vez mais longe. Você se achava forte, mas você era traída constantemente pela morte. A morte da razão. Eu te fazia esquecer do SIM e do NÃO aprendidos pelo teu coração e tomava para mim o controle total da tua escrava. Era bom. Eu e você brincávamos como gato e rato. Você me decifrando e eu te traduzindo e te perseguindo em sonhos e em pensamentos a dentro. Você sabe que eu sou um ponto no mapa. Um ponto pequeno e quase esquecido que muitas vezes se camufla e passa despercebido. Caso queira voltar aqui outras vezes, basta seguir a minha rota, deixar uma mensagem ou simplesmente bater à minha porta. Prometo me abrir todinho para você, novamente me abrir. Pronto! Agora vá, Anastácia! Relembrar isso não tem graça, ou teria?




“Mais uma etapa concluída! ” Pensou ela ao entrar no táxi estacionado que estava a sua espera. A obra premiada foi um de seus mais recentes quadros, o qual foi titulado por: “A Sala Branca”, na pintura havia uma sala branca com duas poltronas na mesma cor, uma jovem de cabelos negros e lisos, usando um vestido branco, sentada de costas para a única entrada que havia; ao teto estava preso um lustre rebaixado e, dependurados em cada parede daquela sala, haviam também quadros representando lembranças. O que instigava era o ar de mistério deixado pela obra, parecia chamar o observador para dentro da tela, chamava-o para sentar-se na outra poltrona vazia e olhar o rosto da jovem. A obra prendia o olhar de qualquer um que a fitasse.  Emocionada e orgulhosa pelo prêmio tão esperado, Elian Robert sonhara com o evento...e tinha sido realmente perfeito. Apressadamente pede ao taxista que a leve ao aeroporto de Orly, a 14 km do centro, o segundo mais movimentado do país, perdendo apenas para o aeroporto Charles de Gaulle. Enquanto o motorista rapidamente se dirige ao destino pedido pela bela jovem, o celular dela vibra com a chegada de um SMS: “já cheguei...ansioso para te ver! ”. “KK...espere aí, estou a caminho”, respondeu. E assim o táxi seguiu pelas históricas e admiráveis ruas de paris. Ao descer do veículo, avista de longe quem estava a sua espera, um homem forte, bem moreno e elegante, alto, com cabelos lisos e longos presos num elástico (numa espécie de coque), olhos verdes e cavanhaque bem delineado. O aeroporto estava movimentadíssimo como de costume, gente de vários lugares e culturas. Sorrindo, vai até ele, que ao vê-la, retribui o sorriso abrindo os braços para recebê-la. Desculpa-se várias vezes por não poder chegar a tempo da cerimônia de premiação mas sugere um passeio após um breve descanso no Hotel Saint Honore. Mais tarde, foram os dois caminhar no jardim do Palais Royal que está ao lado do Louvre, com acesso pela mesma estação de metrô. Conversavam e riam de coisas banais...se divertiam como se tivessem voltado a infância. O lugar era lindo...perfeito para uma alma inquieta se aconchegar e se deixar levar pelas elucubrações de artista, cheio de flores, gramado verde e brisa fresca...ela observou ao longe um senhor simpático distribuindo rosas...seu pensamento foi longe, lembrou-se da primeira vez que recebera uma rosa, uma rosa presenteada de modo surpreendente pelo seu grande amor; sim, o seu amor. Imaginou como seria se ele estivesse ali ao seu lado...ah! Como amava ouvir seu riso, sentir seu cheiro e estar com ele! Mas ela nem esperava que isso poderia acontecer naquele dia. De repente, sua consciência foi trazida abruptamente à realidade, como se sua alma fosse arrancada e posta de volta. Edu Black, seu amigo, a chamara mais de uma vez – “está tudo bem? Parecia estar em outro lugar agora Kkk vamos parar para comer, o passeio me deu um pouco de fome”. “Vamos, já estava na hora” disse ela. E foram os dois em direção aos famosos cafés próximos dali. Sentaram-se à mesa, que ficava na área externa do café, e logo se aproximaram alguns amigos e artistas que a conheciam e estavam por ali. Perguntaram educadamente se poderiam se juntar a eles, ela sorri e responde positivamente. Arrasta sua cadeira para mais próximo de Edu com o intuito de abrir mais espaço para os convidados e todos arrumam-se ao redor da mesa, fazem os pedidos após olhar o cardápio e assim iniciam uma conversa longa e interativa. Após alguns minutos de prosa, ela olha distraidamente para o outro lado da rua - havia um café quase em frente aquele em que estava – parecia bastante cheio. Pessoas bem vestidas e desfrutando da ótima culinária do lugar. Observou mais atentamente um homem sentado à mesa, também na área externa do outro café, ele usava uma camisa de botão branca por dentro de um blazer, calças jeans de cor escura e um chapéu branco (estilo trilby) com uma faixa preta ao redor. Estava sozinho, à vontade, tomando uma cerveja. Ela fixou o olhar nele por alguns segundos...franziu as sobrancelhas em sinal de dúvida e, de repente, um choque de adrenalina foi liberado em seu corpo, seu coração começou a bater freneticamente mais forte. Seria ele? O seu amor? Não acreditava no que estava vendo. Seu corpo inteiro se estremeceu. As lembranças que teve mais cedo poderiam estar confundindo sua mente..., mas não, era ele! Levantou-se da mesa e foi em sua direção. Antes de atravessar a rua, percebeu que uma mulher se aproximara dele, cumprimentou-o e sentara ao seu lado. Parou imediatamente na calçada. Quem seria aquela mulher? Não fazia ideia, certamente alguém que ele estaria esperando. Ficou ali em pé por alguns segundos e voltou à mesa...achou melhor não ir lá, afinal, o seu amor já estava acompanhado. Mal sabia Elian que a mulher era apenas uma prima que veio se despedir...aquele era o último dia dele na maravilhosa Paris. Iria viajar em algumas horas.


Camisa que Cobria o Teu Corpo 


Oi. Come se chama?
Você sempre vem aqui?
Você não me parece estranha.
Permita-me, depois de tanto tempo, te dizer que...

Eu nem sabia que havia uma música com o teu nome
Confesso que eu não te amei por falta ou porque estivesse com fome
Fome de mar, fome de te amar ou de me entregar
Só te ouvindo em versos, prosas e melodia para mata essa saudade tua

O objetivo era atingir a perfeição usando a tua alma nua, crua e perfeita como lua
Usar o teu corpo como porto, como rua para habitar, como peça minha
Que cobria teus seios e corpo - uma camisa de botão em listras
Como uma chave para o paraíso, para o teu lindo rosto

Que meus outros amores nunca saibam que esculpi teu pedaço de céu
Haveriam de me obrigar a tecê-los com o nosso pincel maior e vermelho
Como areia na mão tu fui se escorrendo para longe, para o incerto

Atravessando mares e mares para viver em outro deserto.





De volta ao Brasil, ele finalmente se sentia muito mais aliviado, pois sabia que ela, o seu amor, não estava ali em sua cidade e isso lhe dava a sensação de calma porque afastara de sua imaginação a ideia de cruzar com ela em uma esquina, um banco ou em outro lugar qualquer quando menos esperasse. Ele acreditava piamente que ela havia tomado outros rumos, outros ares, outros amores, sortes ou azares. Ele queria mesmo era aproveitar aquele cheiro sentido nos corredores daquele hotel em Paris e poetizar o rosto de sua amada em forma de toda sorte de arte. Ter visto-a, mesmo que de longe, renovou a certeza de que um grande amor nunca morre e que da vida só se leva o que se viveu sem medos, preconceitos ou temores. Durante a semana que se seguia após aquele turbilhão de sentimentos, ele em uma entrevista ao vivo para uma grande rádio local que o entrevistava sobre o fato dele ter sido premiado em um evento de arte internacional, ele estava tão embebecido pelas lembranças que chegou a confundir o nome da repórter por três vezes com o nome da sua amada e mesmo diante de tal fato ele soube brincar com as palavras e se sair daquele embaraço com maestria e habilidade, deixando a repórter um pouco constrangida e, ao mesmo tempo com curiosidade para saber o porquê da troca de nomes por tantas vezes. Seria ela muito parecida com o referido amor dele? Logo em seguida, ele foi convidado pela responsável por aquele bate-papo na rádio para almoçarem juntos e discorrer um pouco mais sobre as aventuras literárias de um poeta. (risos) Ela já havia lido parte de seus romances, textos e poesias e se sentira atraída pelos detalhes ainda escondidos e não revelados que não sabia se eram reais ou apenas se eram literatura ou se ambos. Verdade ou não, ela sabia que aquele homem mexia com ela de certa forma e gostava de ouvi-lo falar sobre as entrelinhas dos romances e suas construções. Como uma boa mulher feminina e auditiva logo foi se revelando e se mostrando encantada e louca de vontade de se tornar parte daquelas linhas de emoção dos encantos de uma boa escrita. Ela tinha o desejo de ser eternizada por aquele poeta que sabia como envolver e apreender seus leitores e leitoras, mas aquele momento logo foi interrompido por um telefonema que ele recebera comunicando-lhe que ele precisava atender um jornalista que publicaria uma entrevista em um jornal de considerável circulação no estado da Bahia. Sentindo que poderia ser tragado por aquela mulher, logo se despede e parte aliviado de estar livre de uma situação embaraçosa. No dia seguinte, ele manda um rosa de cor champanhe para aquela mulher que deu em cima dele descaradamente com um cartão que dizia: “Uma rosa nem branca e nem vermelha. Não vermelha porque eu não sinto nada por você além de respeito e admiração. Não branca porque me senti constrangido pela sua atitude de se oferecer a mim, assim, sinto-me invadido, pois corpos e amores não são comprados em mercados, muito menos, oferecidos como restos e sobras. O amor clama por conquistas e sacrifícios. Eu amo alguém. Não tente comprar o meu amor nem corromper o meu corpo”. Em continuação ao cumprimento de sua agenda de trabalho e tarefas diárias, ele volta a se concentrar em sua rotina e logo sente o gosto de ser um homem comum e ser apenas mais um andando pelo transito caótico de uma cidade pequena do interior da Bahia, Jequié, senti o vai e vem de pessoas andando pelas ruas, correndo de um lado para o outro fazendo o mundo seguir o seu rumo à jornada de se ser, de se sentir e de fazer a economia evoluir a passos largos. Meses se passaram e já se estava em pleno período junino. De férias e solto nas brincadeiras de tal momento, ele resolve passear pela da cidade quando recebe um SMS dizendo: “Ei, estou aqui em sua cidade. Estou sentada em um banco da praça. Estou em frente à livraria”. Pensou por alguns segundos e respondeu. “Quem é?”. Instantes depois, recebe de volta o segundo dizer: “Sou eu. O seu amor”. Então, ele resolve passar em frente ao local indicado para saber se realmente aquilo poderia ser verdade. Sentiu seu ser estremecer, mas foi mesmo assim. Ao chegar perto do Banco do Brasil, na praça principal, ela a avista de longe. Ela como sempre linda. Estava muito diferente de quando ele a vira em Paris. Ela usava um Jeans básico. Seus cabelos estavam curtos, negros e cheios de cachos. Seu rosto estava pálido não sabendo ele se era por causa do mix de sentimentos ou se problemas outros. Então ao se aproximar, eles se vêem de longe. Seus olhares se cruzam como se duelassem para ver quem viria primeiro, quem daria o primeiro golpe de vista. Queria saber quem despiria o outro com a força de um olhar fulminante e sedento. À medida em que a distância era encurtada e ambos se preparavam para assassinar a SAUDADE de tempos e anos sem se verem, aquele duelo foi logo impedido pela pessoa que foi umas daquelas que, no passado, havia sido aquela que junto a outras, ajudou a derrubar um amor lindo e puro, um ex-namorado dela. Sim! O seu ex-namorado chegara como se soubesse de alguma forma que eles se encontrariam e selariam o enterro da pérfida e malvada saudade. Ele chegou, deu um beijo curto no rosto dela e logo uma lágrima lhe rolava do rosto pálido e o olhar fixo nele, no seu amor, que passava logo ali atrás deles e de frente para ele que já começava a se afastar em seu automóvel, sinalizando com um aceno que era um oi e um adeus ao mesmo tempo. Uma metáfora materializada, nua e crua no meio de uma rua negra e um céu cinzento já quase noite a dentro. Enquanto ela limpava as lágrimas e tentava buscar uma explicação para justificar para o seu pai o que estava acontecendo, ele, seu amor, ia sendo tragado pelo congestionamento voraz que não dava tempo nem oportunidade de se voltar para trás.

Amada da Minha Alma

 

Amada de minha alma, com carinho e com calma
Tira-me desta tortura sala de lembranças pérfidas
Arrume minhas malhas e me devolva o que ainda há meu aí
Pare de ir e vir. Deixe-me aqui como semente em solo de pedra

Será que não choras? Deixe-me ir embora de uma vez por todas
Tolas são as vozes a tua volta.
Pouco me importa se teu arrependimento te mata por dentro
Eu estou aqui louco por ti e por um beijo teu

Queria ser como Romeu. Ter coragem para fazer de lembranças museu
Cravo em mim todas as noites um pensamento teu do lado de fora
Despertado pela aurora percebo que sou uma sepultura fria do tempo de agora
Incapaz de amar como dantes. Fuja de meus implantes de amar

Não esqueça que você sou eu brincando de ser forte
E que sentir a minha ausência é está livre de carência
Me deixar aí no canto do peito é está de certa forma comigo no leito
Desfrutando do meu amor por direito a ti doado.





Após um longo período de frustração e muitas interrogações sobre o porquê ele não podia ter um simples e desejado reencontro com o seu amor, mesmo que fosse apenas para dizer um simples "oi" amigável, curto e breve, ela realmente resolve quebra não apenas o silêncio de longos anos, mas também o protocolo, uma vez que eles pareciam estar brigados e, mais, pareciam ter transformado toda uma vida de amor e sentimentos em uma caixa preta perdida e arremessada no fundo de um dos sete mares. Ela resolveu  dar sinal de vida, pois se sentia, de alguma forma, ligada a ele. No fundo, ela sabia que mesmo tendo outros amantes e desventuras na paixão era ele quem realmente fazia parte de seu mundo do amor. Sim! ele era personagem principal que mexia com seus pensamentos. Era ele quem dava-lhe a certeza de que um grande amor nunca morre mesmo em face dos maiores desencantos e prantos e dores. O encontro não seria nem em sua cidade nem na cidade dele. Ela aproveitara a oportunidade de ir a São Paulo para resolver alguns problemas de ordem pessoal e , corajosa e arriscadamente, lançou-lhe o convite para se reencontrarem, pois lá estariam totalmente livres para matar a saudade e, quem sabe, reascender  a chama de uma louca paixão que havia estado adormecida há muito. Ela o convidara via Email. Depois de alguns dias, ele finalmente responde dizendo: "Ainda que me faltam palavras para compor a ordem de uma sentença que seja satisfatória a teu pedido, venho por meio deste te dizer que nunca houve prazer maior que preenchesse o meu SIM do que ter que ir ao teu encontro. Estarei lá no local e horário combinados britanicamente". O dia era 31 de dezembro de 2019. Às 22 horas em um grande hotel no centro da cidade de São Paulo. A noite estava bastante agitada e cheia de luzes e decoração, pois era véspera de ano novo. A data foi marcada por ela de propósito. Da janela de seu quarto, ela vê um carro preto estacionar do outro lado da avenida em frente ao hotel. Sim, era ele ou era muito parecido. Seu coração bate mais rápido e ela sente o sangue preencher cada partícula de seu ser se agitar e se alegrar como uma criança a brincar. Bem no fundo desta alma-menina e animada ela tinha certeza de que era o amado de sua história. Ele estava no bar do hotel em um canto escuro e à mesa que comportava apenas duas pessoas. Ela estava tomando uma bebida com gelo de cor marrom. de cabeça baixa, ele observava o horário em seu relógio. Ao levantar a cabeça, ele a vê vindo em sua direção. Linda e bela. O mundo parece parar para ambos. Ela vestia um vestido preto de alças finas e tecido leve, à altura dos joelhos, justo ao seu corpo magro e bem conservado por atividades físicas e uma boa alimentação. Andava como se pisasse em uma passarela. Pisava firme e forte. O tempo para. Os corpos se equilibram como ampulhetas do tempo. Ele se levanta e vai ao encontro dela. Estende a mão, sorri para ela e a cumprimenta com dois beijos curtos no rosto rosado e alegre com uma rosa. Segue um abraço forte e longo. De volta à mesa, eles conversam sobre tudo. Falam principalmente dos aspectos físicos de ambos. Ela não deixou de notar alguns muitos fios brancos que denotam que já havia se passado bastante tempo que não se viam e que o tempo o deixara lindo e charmoso. Dão belas e longas risadas. Bebem um pouco e entre risos, passos de dança e a empolgação do momento, ela o convida para irem a outro lugar ou, talvez, subir ao seu quarto. [ ...] O caminho entre o primeiro andar e o décimo segundo foi o mais breve possível porque ela passa a língua entre os lábios e se perde em um longo e saboroso beijo que ela rouba dele. Ela parecia estar perdida em um deserto há muito sem água e sem mantimento. Os dois se beijavam loucamente que nem se deram conta de quando o elevador havia parado. Eles saem em direção ao quarto dela por um corredor comprido e vazio. A noite estava linda. Ninguém aquela altura ligaria para um casal em meio a tantas comemorações antes do início de um novo ano. Ela com as mãos trêmulas tentando por a chave na fechadura, abre-a e os dois entram naquele quarto como se tivessem entrando no paraíso. Ela um pouco fora de si não se sabia se pelos drinks ou pelas substâncias químicas da paixão de seu corpo. Ele se senta em um sofá que havia num canto do quarto próximo à janela. O quarto era iluminado ora pela luz de um pequeno abaju ora pela claridade que entrava pelo balançar das cortinas. Ela deixa as chaves do apartamento sobre um aparador  que ficava perto do pequeno corredor que dava acesso à cozinha. Ele folga um pouco a gravata de cor vinho e se acomoda confortavelmente ali enquanto ela vem em sua direção com as mãos na cintura desfilando para ele dando uma risada que era ao mesmo tempo doce e recatada assim como, também, envolvente e provocante. Ela se inclina para pondo o rosto bem próximo ao dele enquanto tira a sua gravata e a coloca em volta de seu pescoço, beijando-os e invadindo a boca dele com a língua quente, enlouquecendo-o e arrancando suspiros e gemidos já conhecidos e ouvidos por ela, pelas tardes proibidas e pelo silêncio de quartos de motel quando se amavam arriscadamente no início da vida adulta. Ele a puxa para cima dele de modo que ela fica sentada em seu colo. De olhos fechados e bocas ligadas por um beijo enlouquecedor e longo, ele começa a abrir a parte da frente do vestido dela um botão de cada vez. Como uma harpa seu corpo vai estremecendo mais e mais enquanto sua roupa ele vai tirando delicadamente e loucamente ao mesmo tempo. Ele a coloca de costas sobre aquele sofá. Põe seus cabelos longos, negros e caracolados de um dos lados do pescoço e começa a beijar-lhe lentamente, alternando com chupadas em seu ouvido. Abre o sutiã com boca e dentes enquanto ela implora para ele entrar de vez nela acabando com aquele martírio, mas para ambos aquele deveria ser um ritual sacro, completo e perfeito. Explorando cada parte daquele corpo aveludado e carente, ele brinca com a sua escrava, fazendo-a atingir o seu primeiro ápice de prazer. Ela retribui cada beijo, cada passar de língua, acrescentando o arranhar de unhas nas costas dele alternando com forte e deliciosas mordidas em seu peito másculo e viril. Sentados, eles chegam a mais um orgasmo juntos, ao mesmo tempo em perfeita sintonia como em uma orquestra regida pelo prazer maior de amar. Suados e abraçados, ela o pega pela mão e o leva até um quarto com uma grande cama macia. Ela, completamente nua, fica de joelhos e ele por trás a abraça. Neste instante os dois são agraciados pelos estouros  e clarões dos fogos de artifício. Era ano novo. Ela se deita ainda d costas. Ele se dirige a um pequeno frigobar, apanha uma cerveja bem gelada. Abre, toma um gole longo e suave. Dirige-se até a sua amada e começa a beijá-la pelo pescoço. Ela, sem esperar, sente em seu pescoço e dorso grandes goles daquela cerveja. Ele delicadamente lambe e chupa cada gota daquele líquido, fazendo do corpo dela um cálice. Ela atinge o prazer maior mais uma vez. Eles se entrelaçam e se amam até às quatro da manhã quando são tomados por um cansaço forte e são arrebatados por um profundo sono. Ao Acordar no dia seguinte por volta das dez da manhã, ele se dá conta de que estava sozinho naquele quarto grande e belo. Apanha um roupão que estava aos pés da cama e começa a procurá-la. Quarto, sala, banheiro, sacada. Cozinha! Ah, pensou ele: "ela só pode estar na cozinha, preparando, quem sabe, um delicioso café da manhã". Mas para a sua surpresa, tudo que ele encontra é uma mesa milimetricamente arrumada, mas vazia de alimentos ou algo do tipo. À cabeceira daquela mesa estava uma tigela dentro de outro prato com talheres à sua volta, assim como, uma taça à esquerda, uma xícara à direita e um copo à frente formando um triangulo, mas o que logo capturou a sua atenção foi um pequeno papel dentro da tigela. Ao pegá-lo ele  lê: "Querido, perdoe-me! Tive que sair às presas. Está tudo pago. Não se preocupe. Um dia explico tudo." e uma pequena frase que dizia: "Os homens são dos planetas, mas as mulheres são das estrelas". Logo ele amassa aquele bilhete e o atira em um cesto de lixo próximo à pia. Apoia-se no balcão ao lado da mesa passando a mão em sua barba rala, imaginando o que poderia ter acontecido a ela, mas aquilo era apenas abstrações e devaneio. Volta à sala, apanha a sua roupa, vai ao banheiro tomar um bom banho, arruma-se a sai em direção a o aeroporto que ficava a uns quarenta minutos do hotel. Enquanto volta para a sua cidade, Jequié, interior da Bahia, ele jura que nunca mais a procuraria nem por telefone, nem por redes sociais ou qualquer forma de pensamento. "Aquele seria um golpe em sua alma. Brincar com os sentimentos de outra pessoa", pensava ele.

 

 

Meus amores em mim mesmo

 

 

Por onde anda minha cara metade?
Sei que cedo ou tarde, aqui ou lá, hei de encontrar o meu amor majestade
O culpado é Zeus e seus deuses irmãos que nos separou com sua indignação
Não reconheceram que nos amamos e tentamos ser deuses com nossas próprias mãos

Meu amor agora pode ser falta e amanha redenção
Preciso aprender amar o que já tenho além do corpo, alma e coração
Está provado que o amor é uma semente que pode despertar algo ardente
Que se bem cultivado engana deuses, homens e serpentes

O amor é a arte de aprender a encontrar a parte perdida
É ir experimentando uma a uma e, se sentida e entendida, eterniza-se.
O amor é a chave de uma só fechadura, a paixão é a tentativa de se saber quem se quer
Há quem diga que o amor pode juntar na mesma proporção que afasta

O amor ou os amores servem para distrair porque a vida somente não basta
O amor é uma frase solta que, se bem encaixada no contexto certo, completa outra
O amor quando criança é erotização do corpo, do outro e do aquilo.
Quando jovem é phileo em mim mesmo, quando adulto não passa de insulto a quilo.




Deixe-me sozinho aqui no meu canto sacro e santo.
Já não vês que não quero mais  as tuas promessas e encantos?
Se for para ser que seja por inteiro e não por metades ou eiros.
Viva o que é teu por direito e curta a sua vida em prantos e leitos!

Não foi você quem quis assim? Não quero a tua culpa em mim.
Carrega contigo os teus fardos e dardos inflamados de arrependimentos e dor.
Não quero o teu perdão e nem a tua misericórdia sem compaixão.
Cate cada momento, lembrança e  esperança de me ter e retire do meu peito!

Não quero mais ser parte do teu mundo imaginário!
Achas que pode fazer o que te vem à cabeça só porque descente de um berço mercenário?
O amor só pode acontecer  quando os serem não vivem em um lugar aquário.
Rasgue fotos, apague lembranças e viva como um ser solitário, vagueando em seu mundo berçário!


Quebra de protocolo X – Justificativa



Já havia amanhecido quando ela desperta e percebe a claridade entrando no imenso quarto através das brechas das cortinas. Estava serena e feliz. Ainda sonolenta, vira-se de lado apoiando a cabeça sobre uma das mãos e observa o seu amor ali dormindo tranquilamente ao seu lado. Dá um beijo de leve em seu rosto e sorri lembrando da noite que passaram juntos. Ele não desperta, certamente estava bem cansado e dormia profundamente. Ela se levanta para beber um copo d’água e olhar as horas em seu celular. Já passava das oito horas e havia onze ligações perdidas de um mesmo número com DDD conhecido. Ela retorna as ligações e recebe uma notícia perturbadora a ponto de ter que sair às pressas e pegar um vôo para a capital da Bahia. Se arruma bem rápido, nem dá tempo para tomar café, apenas tempo de deixar um bilhete para o seu amor. Preferiu deixá-lo descansar e explicar o que aconteceu depois. Chegando em Salvador, nota que seu celular não está na bolsa, deve ter esquecido no hotel - “droga! ” –Pensou ela. Apreensiva se dirige rapidamente ao hospital para onde sua mãe foi transferida. Ela havia adoecido e desmaiado sem explicação no banheiro de sua casa. Estava desacordada e internada para exames específicos com intuito de investigar o que havia acontecido. Elian encontrou com seu pai e alguns familiares no corredor do hospital. Estavam aguardando a sua mãe sair da sala de tomografia. O resultado do exame estava normal, mas ainda teria outros a serem concluídos. Sua mãe acordou três dias depois do internamento, parecia se sentir bem, só um pouco atordoada por não saber onde estava. Elian havia passado esses dias todos no hospital acompanhando-a sem mesmo ir em casa, pois na mala que levara na viagem a São Paulo ainda havia roupas limpas. Estava cansada, porém, ao ver sua mãe abrir os olhos pela manhã, deu um largo sorriso, sentiu-se mais aliviada. Teve alta no dia seguinte de tardinha. O médico não soube explicar muito bem qual foi o problema, apenas supôs que, por apresentar pressão baixa, o organismo da paciente poderia ter sofrido um blackout (apagão), evitando assim algum tipo de AVE isquêmico. Ao chegar em casa, acomodou seus pais no quarto de visitas, onde havia uma cama de casal confortável, uma cômoda com espelho e ar-condicionado. Depois foi preparar um café e fazer uma ligação ao hotel para saber de seu celular. Ufa! O celular realmente tinha ficado lá e o enviariam por sedex. Depois do jantar, ela envia um e-mail para ele se desculpando e explicando tudo o que ocorrera. Sua mãe ficaria em sua casa por mais ou menos um mês, ela não queria, mas Elian insistiu.   certeza de que tudo estava bem. Quatro dias depois, seu celular chegou. Ele ainda não havia respondido ao seu e-mail. Claro, ele estava chateado e talvez nem o tenha lido. Ela resolve ligar...ninguém atende. Envia um SMS: “Querido, se estiver com raiva eu até entendo, sumi sem explicação depois de uma noite juntos. Deixei apenas um bilhete em cima da mesa. Peço que me perdoe. A verdade é que recebi uma notícia ruim pela manhã. Minha mãe estava internada e em coma... fiquei muito preocupada e tive que sair correndo para vê-la. Não pense que estou brincando com seus sentimentos, de forma alguma. Eu amo você e quero te ver novamente. Responda-me”. Semanas depois, Elian foi com sua mãe fazer algumas compras no shopping, coisa que as duas gostavam muito de fazer juntas e, no dia seguinte, sua mãe viajaria de volta para casa. Entre uma loja e outra, ela sente seu celular vibrar dentro da bolsa. Enquanto a senhora estava no provador experimentando umas roupas, ela sai para atender...era ele quem estava ligando. Os dois conversam por um tempo,mal-entendidos são esclarecidos, trocam-se sorrisos e combinam de conversar mais vezes. Passaram-se alguns dias, já estava na metade do mês de fevereiro, mas ainda sobrara o resto do mês para aproveitar antes de começar a rotina cotidiana e dos compromissos a serem cumpridos. Os dois, ela e ele, decidem então planejar uma viagem em que se curtiriam e se amariam novamente. Uma praia, Barra Grande, um lugar lindo e encantador. Perfeito para eles. A viagem foi marcada para um fim de semana, sairiam na sexta de manhã e voltariam no domingo à tarde. Encontraram-se em Salvador, de lá saíram num táxi aéreo e aterrissaram na pista de pouso localizada perto da Vila de Barra Grande, que permite receber aviões de pequeno porte. Os restantes das locomoções seriam feitas de barco, lanchas ou escunas. Hospedaram-se numa das famosas pousadas próximas a praia, descansaram um pouco da viagem e foram curtir o resto do dia. A noite os aguardava. Depois que o sol já se pôs, o movimento começa em Barra Grande Boulevard. Um espaço fechado com restaurantes elegantes e lojas por todos os lados. As calçadas cobertas de areia se transformam em caminhos de grama cheios de arbustos grandes com flores que dão a sensação de estar em um país das maravilhas. Havia pessoas de todos os lugares. Vestiam roupas leves à moda praia. Ela usava um biquíni e uma canga florida que modelava um vestido e ele, bermuda clara e uma camiseta branca. Desfrutaram da deliciosa culinária e foram caminhar a beira da do mar sob a luz da lua cheia. A noite estava quente e vazia ao mesmo tempo, nenhum turista estava passando por ali naquele momento. Dava-se para ouvir o barulho das ondas e uma música ao longe. Deitaram-se sobre uma canga na areia. Fizeram amor ali mesmo. O dia seguinte se decorreu entre passeios de barco pelo litoral, mergulho nos corais e passeios de quadriciclo... havia sido muito divertido. No domingo, Elian não havia acordado muito bem, sentia náuseas, não tomou café da manhã e almoçou muito pouco - "Acho que a moqueca de camarão de ontem a noite não me fez muito bem." - Disse ela. Ele foi buscar uma água de coco e os dois passaram o resto do dia sentados numa mesa ao redor da piscina. À tardinha, pegaram o voo de volta para casa.

 

 

O que sinto não tem nome

 

 

Esconder-se atrás de monstros da própria criação
Um louco, insano, disfarçado de moço. Sociedade de máscaras.
Labirintos. O que sinto não tem nome. A dúvida me revela certezas.
Eu coisa, Eu outro, Eu eu.

Sorrisos esquecidos na gaveta da sala. Amores antigos pendurados no varal.
Corredores cheios de silêncios e vazios de tantas almas a vagar.
Um vai e vem frenético de pensamentos wireless conectados a outros pensar
O que sinto não tem nome, mas tem vida. Tudo deve ter nome

O que sinto vai além do nome. Vai além do poder descritivo das palavras.
Não é LIBERDADE. Não é PRISÃO. Talvez; SOLIDÃO PROFANA!
O ser no próprio ser se faz ora coisa, ora outro!

O que sinto não é pra ser lexical. É apenas para ser SENTIDO. Sinta!

Quebra de Protocolo XI – Surpresas e Destinos



Depois de tantas emoções durante um final de semana que parecia não querer mais terminar, ele finalmente chega em Jequié. Desce do carro com versos na cabeça que diziam: "Eu não sou o jornal de ontem. Eu sou um livro a ser escrito. Eu já não sou mais notícia velha e abandonada. Eu sou versos e páginas compondo e pavimentando uma estrada". Sereno e risonho consigo mesmo, ele logo manda uma mensagem de texto via rede social para Elian para saber como ela estava, pois ao se despedirem em Barra Grande, ele nota que ela não se sentia muito bem. Não sabia ele se por causa das fortes emoções vividas entre eles naquele paraíso ou se realmente por um problema de saúde. Toma um bom banho pensado como foi bom tê-la de forma tão simples e tão profunda nas areias de uma praia deserta. descansa um pouco e sai para comer algo com amigos. Enquanto ele estava à mesa dando risadas e se descontraindo, recebe uma mensagem dela que dizia: " Oi, meu amor. Desembarquei no aeroporto e logo fui para casa, pois ainda me sentia enjoada e um pouco tonta. Mas agora tá tudo bem, graças a Deus. Aquela moqueca não me fez bem. Tomei um remédio e vou me deitar um pouco. Até mais. Se cuide. Te amo". Ele se sentia um pouco mais aliviado, mas na verdade ele queria mesmo era estar do lado dela para deixá-la mais calma e segura, porém as atividades dos dois os impediam, de certa forma, a realizar tal vontade. Os dias seguintes foram muito corridos para ambos. O que lhes traziam um pouco de calma às suas almas era ter como plano de fundo músicas românticas como Thinking out loud e Give me a reason. Isso fazia com que seus dias e distâncias fossem mais curtos e lhes traziam um ar de leveza e alegria. Era bom deixar o pensamento voltar no tempo sem que ninguém a suas voltas percebessem. Era como uma quebra de regra, uma quebra de protocolo. Mais dias se passaram quando em sua caixa de emails ele recebe um que dizia que Elian não estava bem há dias e que ele precisaria ir a Salvador para saber o que estava acontecendo. O email estava em nome de Anne, uma amiga dela. Dizia que se tratava de uma informação confidencial e que ele não deveria revelar seu nome e nem a sua atitude. Falava que estava muito preocupada com o estado de saúde de Elian, uma vez que não estava bem, havia faltado à faculdade algumas vezes e estava muito recolhida em casa. Coisas que não eram comuns a ela fazer. Dizia que ela tinha uma consulta marcada com um cardiologista em dois dias e que seria bom que ele viesse vê-la, pois temia que estivesse com uma doença grave e rara. Aquela notícia era a pior de todas. Aquilo não poderia estar acontecendo! Pensava ele desesperadamente. Ela não havia lhe contado nada. Por quê? Queria ela poupá-lo de tamanha dor? Ele não conseguia mais se concentrar em mais nada. Pedia a sua assistente que cancelasse todos os seus compromissos daquela semana e solicitou ao motorista que revisasse seu carro e enchesse o tanque, pois na manha seguinte ele teria que fazer uma viagem de emergência. À meia noite partiu em direção à capital da Bahia. A estrada lhe parecia maior, talvez duplicada. Os 367 quilômetros que separavam as duas cidades não se findavam mesmo com a velocidade de seu carro variando entre 180 e 140 quilômetros por hora. As preocupações lhe chegavam à mente nas mesmas velocidades. O trajeto embora parecesse longo, estava calmo com poucos carros na estrada. Mas a sensação de tentar descobrir o que estava se passando com Elian, o seu grande amor, lhe deixava transtornado. Pensava em não ter a oportunidade de, mais uma vez, não poder se despedir dela. Eram tantas perguntas sem respostas que aquela situação mais lhe parecia história de novela ou filme sobre um amor impossível. Quando não eram as pessoas tentando afastá-los e impedi-los de serem felizes, era a própria vida ou destino quem o fazia. O relógio marcava três e meia da manhã e antes de chegar na cidade de Feira de Santana, ele estava no final da reta quando se distrai com seu celular vibrando e quando volta a olhar para a pista, se depara com uma curva muita fechada. Ele pisa fortemente nos freios, mas não consegue conter o veículo que gira para um lado  e para o outro, oscilando ora entre o meio e a contramão da pista quando se depara com uma grande carreta que vinha em alta velocidade tentando fazer a curva adentrando um pouco na faixa em que ele estava. Numa tentativa desesperada para fugir da morte, ele consegue girar o volante do carro para a esquerda, mas mesmo assim ele é atingido pela carreta que bate na parte do fundo, fazendo o carro rodar várias vezes antes de capotar por cinco vezes despenhadeiro abaixo. Ele acorda num lugar escuro e muito frio. O cheiro era forte. Sabia que ali não era o inferno, pois não cheirava a enxofre e sim a éter. Escutava um bipe ao longe e luzes de led de aparelhos que davam uma certa iluminação ao ambiente.  Tentava coçar a testa quando viu que havia uma agulha em seu braço e alguns eletrodos em seu peito. Quis levantar mas não sentias suas pernas. Logo a enfermeira veio ao seu encontro, acendendo as luzes do quarto que lhe incomodavam muito às vistas. Quando vê vindo ao seu encontro mais duas enfermeiras e dois médicos. Entravam apressadamente. Tentavam tranquilizá-lo dizendo que estava tudo bem. Contaram-lhe que ele estava em coma há dois meses por conta de um grave acidente de carro. Logo ele começa se lembrar vagamente do acontecimento. Lembra até o momento em que perdera o controle do carro. Estava pensando como se tivesse sonhado ou tentava criar em sua imaginação algo baseado nos relatos ouvidos. No dia seguinte ele é levado para fazer uma série de exames e testes. Recebe a visita de sua mãe e de dois amigos. Fica sabendo que ele fraturou as duas pernas, levou um corte profundo na barriga e bateu fortemente com a cabeça em partes do carro, embora estivesse usando sinto de segurança e o Airbag tivesse funcionado perfeitamente. Chora muito ao ver as fotos do acidente. Sabia, de algum modo, que ele havia nascido outra vez. A reportagem num jornal local dizia que o corpo de bombeiros teve muito trabalho para fazer o resgate, pois o carro havia caído entre valas e estava totalmente amaçado. Tiveram que usar macaco hidráulico para retirá-lo daquela situação. Perda total do carro. Na manhã seguinte, quando ele voltava da fisioterapia, ao entrar em seu quarto, ele percebe que havia flores sobre uma pequena mesa que ficava próximo à cama. Ao se aproximar para ler o cartão, dá-se conta de que havia uma caixinha que lhe parecia um presente. Ao abrir a caixa, ele começa a sentir água descendo de seus olhos, eram lágrimas. Buscava algo em que se apoiar, levando a mão esquerda ao rosto para conter as dores. Um cartão retirado de um dos sapatinhos azuis de neném dizia: "Oi, papai. Passando para dizer que em mais alguns meses estarei em seus braços".  Quando, com dificuldades, sem saber muito bem o que aquilo significava, apoia-se na cama radiante de felicidade, sente duas mãos fechando os seus olhos por trás dele. Claro, só  poderia ser alguém íntimo dele, mas ele não conseguia lembrar quem. Aquele cheiro era inconfundível e levava seus pensamentos a alguém em algum lugar. Quando se abraçam e se beijam e choram juntos por estar vivo, por rever um ao outro. Ela se senta ao seu lado e lhe conta que sentia muito pelo que havia acontecido a ele. Ela havia pedido a sua amiga, Anne, que lhe mandasse um email contando o que ela havia dito. Dizia chorando muito que ela tentou dizer que estava grávida através de uma surpresa. E que o endereço da clínica passado por ela não era de um cardiologista e sim de uma clínica pediátrica e que lá ela lhe revelaria que estava esperando um bebê dele. Queria fazer de forma diferente, surpreendê-lo. Contou-lhe, ainda, que enquanto esperava para ser atendida, tomou conhecimento de seu acidente que foi relatado por um canal de TV local que dizia: FAMOSO ESCRITOR BAIANO SOFRE GRAVE ACIDENTE EM FEIRA DE SANTANA. Durante o período de dois meses lhe fizera várias visitas, contava-lhe ela. Embora fortemente emocionado, aquela mulher não lhe parecia conhecida, ou ele estaria sonhando? perguntava-lhe ele a si mesmo. Ela continua acariciar o rosto daquele que era o homem de sua vida. Aquele que não saíra de seus pensamentos e que agora estava literalmente com uma parte sua no ventre. Não! Isso não seria possível. Isso não pode ser verdade. Pensava ela profundamente abalada com a ideia de que ele poderia ter perdido a memória naquele trágico acidente. Correndo apressadamente, passando suas mãos pelo rosto e cabelo ela sai pelos corredores do hospital, tentando encontrar alguém que lhe explicasse o que havia acontecido. Ela tinha o direito de saber, de ser informada. Grita loucamente  e bate com as duas mãos no balcão da recepção do Hospital exigindo que o médico responsável por ele seja chamado para que tudo fosse esclarecido quando alguns médicos e enfermeiros correm em sua direção. Para tentar acalmá-la, eles a levam para o consultório do Dr. Eduardo Winner, médico especialista no funcionamento do cérebro humano, então ele após tranquilizar Elian, começa a lhe explicar que a memória envolve um processo de codificar, armazenar e então recuperar informações. Diferentes áreas do cérebro estão envolvidas no processo de memória, dependendo do tipo de memória e do tipo de informação que ela contém e que no caso em questão, o acidente havia causado uma espécie de pane que eles ainda não sabiam se seria momentânea ou permanente. Explicou-lhe ainda que os processos de decodificação, codificação e armazenamento sensorial dele estavam funcionando em estado normal aparentemente, mas que os mecanismos que envolviam a memória de curto prazo, de longo prazo, memória declarativa, semântica e emocional pareciam estar em conflito o que fazia com que não se lembrasse de nada ou vagamente de alguns eventos de sua vida. Elian, após ouvir toda aquela explicação que mais lhe parecia descrição de um pesadelo sem fim, passa em frente ao quarto onde o seu amado está e apenas o observa pela janela de vidro entre a persiana. Ali, parada com um vestido de alças, solto e vele, ela apanha seu celular que estava na bolsa que segurava com a mão direita e liga para a sua verdadeira amiga para pedir ajuda e que ela viesse apanhá-la, pois não se sentia segura para ir dirigindo. Falava chorando e com dificuldades. Sem saber muito o que fazer ou pensar, ela espera por sua amiga sentada na escada principal em frente ao hospital, imaginando o que seria de suas vidas dali para frente.

Vontade de sobrevivência


Hoje que a noite tá clara e o dia escuro
É momento de celebrarmos as antíteses e paradoxos
Vejo-me em seu olhar plural dentro de minha singular vontade de sobrevivência

Limitado por uma molécula de oxigênio que me penetra até onde meus pensamentos nunca ousaram ir.

A vida exige que se seja forte.

 

 

Querer morrer é o mesmo que querer criar a vida.
Estar vivo é um fato e não uma escolha.
A vida exige que se seja forte.
Só sabemos quem somos ou quem queremos ser em meio a situações.

Morrer é tentar fugir das situações.
Morrer é encontrar outras situações lá do outro lado.
Não fomos feitos para morrer. Por isso, nunca se acostuma com a morte!
Não se torne quem você não quer ser.






O dia amanheceu fresco e nublado, não chovera durante a madrugada, mas ainda era época de chuva. O tempo estava um pouco bagunçado pelo fim da estação, o barulho de alguns carros anunciava que a cidade já havia acordado e logo começaria a rotina cotidiana. Elian não tinha ânimo para se levantar da cama, passou maior parte da noite em claro tentando achar uma solução ou uma maneira melhor de lidar com aquela situação. Estava com medo e angustiada pelas notícias que recebera no dia anterior. Chorou demasiadamente por algumas horas. Anne dormira lá, decidiu fazer companhia à sua amiga pois não queria deixá-la sozinha no estado em que se encontrava. Ela precisava conversar e desabafar. A incerteza e a ideia de criar seu bebê sem o amor do pai era o que lhe preocupava, ela sabia que muitas mães solteiras conseguiram driblar esse problema, porém já havia criado a expectativa de enfim estar com seu amado vivendo numa ilusória família feliz. Não seria fácil lidar com a perda de memória dele, já que os médicos não sabiam dizer a duração desse problema, poderia ser permanente. Momentos de paixão e cumplicidade apagados por um trágico acidente. Depois de alguns incentivos, Elian se levantou e foi tomar um banho quente, era sexta-feira e o dia seria longo, além do trabalho, daria aulas de artes plásticas para jovens de uma comunidade. Era a única coisa que a animava naquele momento, pintura é uma das coisas que a deixam mais feliz e estar com os meninos com certeza seria gratificante. Ao final do dia, ainda havia tempo de visitar o seu amor, o horário de visitas do hospital era até às 20 h. Ao chegar, ele sorri ao vê-la, ainda não recuperara a memória, mas sua companhia era agradável. Perguntou sobre o bebê e sobre muitas outras coisas, conversaram bastante. O bebê já completaria quatro meses em algumas semanas e faria a primeira ultrassom. Bryan não poderia acompanhar pois ainda não estava em condições de sair do hospital, precisava se recuperar das cirurgias e do longo período em que ficou desacordado. Fazia fisioterapia e exames psicológicos. Durante os próximos dias, Elian continuou com as visitas regulares, ia vê-lo sempre que podia. O jeito apaixonado que ele tinha estava bem discreto ao olhar dela, Elian sentia falta do “eu te amo” tão verdadeiro que soava dos lábios dele, o amava tanto! Ela lhe deu um desconto, afinal, estavam conhecendo um ao outro novamente. Tudo para ele era novo, e aparecer uma mulher linda em sua vida dizendo esperar um filho seu era ainda muito estranho, tentava retornar o mesmo carinho que ela demonstrava sentir por ele, pelo menos tentava, não era tão difícil, ela o deixava alegre e o fazia se sentir bem, era risonha e de presença aconchegante.  Fazia esforço todos os dias para recuperar a memória. Sem sucesso até o momento. Seu eu legítimo estava escondidinho em algum lugar de sua consciência, bastava achar. Alguns dias se passaram, chegara o dia da consulta, Elian estava animada e ansiosa, veria pela primeira vez o seu bebê...ouviria o coração e talvez pudesse saber o sexo. Sua amiga Anne a acompanharia, claro...a titia coruja. Não dava para saber quem estava mais empolgada, a mãe ou a acompanhante (rsrsrs). A clínica era bem decorada: mobília aconchegante num estilo rústico e moderno ao mesmo tempo, quadros abstratos enfeitando as paredes de pintura roseada, algumas revistas em mesas de cento ao lado das poltronas e pequenos jarros de flores em prateleiras de vidro. Não de demora muito e Elian ouve seu nome ser chamado para um dos consultórios da clínica. O médico a recebeu convidando-a para se sentar em uma das cadeiras acolchoadas em frente a sua mesa e começou a fazer a entrevista. Era bastante paciente e gentil, demonstrava segurança, sabedoria e explicava tudo com cautela...grávidas adoram perguntar, então, ele estava bem preparado para isso (rsrs) ...todo médico deveria ser assim. O exame ocorreu muito bem, a saúde estava ok, tamanho e circunferência da cabeça estavam ok para a idade, coraçãozinho batendo forte, mas havia uma SURPRESA...

 

 

Ideias traduzidas em palavras

 

 

 

A noite do poeta já não é mais uma criança;
É algo que deixou de engatinhar há muito;
Cresceu e tem pernas próprias;

O fogo também não mais arde sem se vê;
A ferida já se tornou algo que dói;
Não tem vida própria;
Mas é como adolescente nua, não tem controle, consome e dorme!

Hoje já não se perde mais face em espelhos;
Se troca de rosto como se troca de roupa;
Beijos nunca foram contratos, mas podem ser comprados;
Enviados pelo correio em uma caixinha do SEDEX.

Todos têm jardins. Melhor do que ficar à espera de rosas alheias;
Pode-se ficar exposto ao sol por muito tempo desde que se use protetor solar;
Exagerados, jogados aos pés de uma ideologia pra se viver;
Só se vai até onde se sabe. Slides projetando ideias traduzidas em palavras!




"E o que seria dos amores se não fossem as paixões?".
Após a decepção de ter sido deixado ao leu do esquecimento e à sorte de outro amor, Ele sabia que precisava se recuperar não apenas de uma perda de memória, mas também recuperar-se de uma dor maior: o abandono e a partida de seu amor, da sua paixão.
Depois de longos períodos e intermináveis sessões de tratamento para tentar recuperar a memória perdida em um acidente de carro a caminho de Salvador, Ele, finalmente, dá início a uma nova vida, a uma nova rotina. O tempo foi de alguns longos anos. Então, descobriu que em sua conta bancária havia uma boa quantidade de valores, fruto de contratos e vendas de seus livros de maior sucesso no Brasil e no exterior. Ele tem vagas lembranças de seu passado.
Diante de um novo e desafiador recomeço, decide por fazer uma longa viragem pela Europa. Conhecer lugares e pessoas. Antes de partir, contrata uma empresa de construção e a deixa no compromisso e responsabilidade de executar um projeto de construção com todos os detalhes arquitetônicos definidos. Ele realmente pensava em um novo recomeço. Sabia, bem lá no fundo de sua alma poética, que gostaria de tudo, cada detalhe deveria ser diferente. Aos poucos ele recuperava vagas lembranças quando acessava alguns arquivos em seus registros eletrônicos. Descobriu um endereço de e-mail que muito lhe intrigava, pois havia alguns relatos e descrições de uma mulher que ele já não sabia quem era. Ele, por algumas vezes e tentativas, mandava-lhe e-mails, mas nunca tivera retorno.
Pela Europa, encantava-se com lugares e pessoas que lhe inspiravam a escrever e a produzir textos, frases, romances que lhe rendiam publicações e uma certa presença nos meios literários. Seus textos lhe rendiam boas críticas e convites para fazer parte em saraus, rodas de discussão e até mesmo participação em congressos e palestras nos meios acadêmicos.
Gostava de escrever sobre as sutilezas escondidas nos relacionamentos entre amantes, não importando o gênero ou raça. Gostava mesmo era de poetizar sobre tudo que se relacionava com seu contexto e práticas de sua época.
De volta ao Brasil,  ele fica maravilhado com sua nova casa que ficava em um dos bairros nobres de sua cidade natal. Solicita que uma empresa de móveis e decoração cuide de todos os detalhes que ainda faltavam, pois queria logo se mudar para o seu mais novo lugar de refúgio e escapismo.
Convida alguns  amigos para a festa de inauguração.
Às vinte horas do dia vinte de Dezembro de dois mil e dezoito,  lá estava ele. Ansioso. Tenso. Seus poucos amigos e amigas chegam, trazendo também outras pessoas consigo. Ele os recebe com uma  recepção bastante aconchegante. Vinho dos mais variados tipos, champanhe, whisky, coquetel, petiscos e, claro, boas músicas dos mais variados gêneros sendo tocadas e interpretadas por um dos melhores artistas musicais locais (AINDA A DEFINIR QUEM POSSO CITAR), de camisa polo como adorava se vestir, de bermuda jeans, sapatos esporte fino e, como não poderia faltar, seu chapéu estilo pagodeiro.
Entre boas conversas, risos e um clima de descontração, um de seus amigos mais próximos, interrompe a festa para anunciar aos convidados que aquela dada também era o aniversário Dele. Sem graça e tímido recebe as homenagens e resolve cantar uma música. Sobe no pequeno palco perto do Nioaque que abrigava a churrasqueira e que ficava de frente à piscina, agradece a todos, conta um pouco de sua história e começa a cantar uma música que nunca lhe saira da mente, mesmo com perda parcial de memória. A música era CARELESS WHISPER do cantor George Michael.
Então, em meio a canção, Ele vê alguém, uma mulher (AINDA a ser descrita) sentada em meio a tantas outras pessoas com o olhar Fixo nele. Nesse momento, Ele fica paralisado. Os dois se olham. O cantor dá sequência à música. Ele desce do palco. Vai até ela. Ela se levanta e duas lágrimas escorrem pelos olhos dos dois. Palavras não havia. Tudo continuava a acontecer na festa de inauguração de sua nova casa, mas para eles o mundo havia parado. 


Psicorretrato da Alma calma finalizando e poetizando



Creio piamente que a minha alma seja feita de carnes e ossos
E que meu corpo seja constituído de essência de um pouco de cada coisa imaterial.
Eles até que podem concordar em algum ponto, mas sempre divergirão em outros!
São como retas paralelas que, talvez, se encontrem no infinito.

O sangue que me corre nas veias é turvo e negro como as dúvidas trazidas pela evolução.
Cada órgão meu não tem uma função definida por comandos, mas sim por sintagmas de vontade!
Cada um me meteu uma palavra desde quando nasci. O que posso fazer eu se sou vozes andantes e pertubantes dentro de mim e de ti?

Assim como a minha alma cresce e evolui, meu corpo repousa em outros portos.
Portos sem porta. Porta que suporta a inquietude de se manter uma alma e um corpo sobre
Orientação de algo que se acha criador, mas que, na verdade, não passa de um ser.
Pode, porventura, uma criatura mandar em outra? Não! Nem o criador o faz!

Enquanto essa alma guerreia, esse pouco de corpo insiste em ser barroco. Louco.
Carnes e ossos imateriais, essenciais para duelar com outros corpos concretos e abertos.
De longe ou de perto, o que se quer de verdade é só um pouco de tranqüilidade para ser.
Se não conseguirem, equilíbrio de tudo isso ai, psicografe uma alma calma.







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