Quem te disse que eu nunca fui seu? Você não se lembra que já fomos um só corpo e uma só alma? Claro, não nesta vida, mas em um momento fragmento de tempo que não cabia no Espaço meu e teu. Eu confesso, quase sem querer, que sempre senti a sua falta. A tua saudade me atraía todas as vezes em que eu me encontrava livre de meus prazeres fugamentosos e que serviam de amparo para preencher a falta de minha parte andrógena de você, distante de minhas paixões, do gole seco e suave de vinho que me prendia em muitos corpos físicos e corpus abstratos, sempre em que eu me encontrava sozinho e sóbrio em um canto de rua com corpo nu e exposto, sempre que me lembrava da minha parte faltante. Fui errante forçadamente por tanto e santo. Saiba que o “OI” que te dei me custou anos e vidas não vividas, pois tive que barganhar com o Criador a troca desses pela materialização, quase que wifi, de uma simples saudação à minha paixão maior, à minha ninfa que certamente me valeria muito, ainda...