Quebra de protocolo X
Já havia amanhecido quando ela desperta e
percebe a claridade entrando no imenso quarto através das brechas das cortinas.
Estava serena e feliz. Ainda sonolenta, vira-se de lado apoiando a cabeça sobre
uma das mãos e observa o seu amor ali dormindo tranquilamente ao seu lado. Dá
um beijo de leve em seu rosto e sorri lembrando da noite que passaram juntos.
Ele não desperta, certamente estava bem cansado e dormia profundamente. Ela se
levanta para beber um copo d’água e olhar as horas em seu celular. Já passava
das oito horas e havia onze ligações perdidas de um mesmo número com DDD
conhecido. Ela retorna as ligações e recebe uma notícia perturbadora a ponto de
ter que sair às pressas e pegar um vôo para a capital da Bahia. Se arruma bem
rápido, nem dá tempo para tomar café, apenas tempo de deixar um bilhete para o
seu amor. Preferiu deixá-lo descansar e explicar o que aconteceu depois.
Chegando em Salvador, nota que seu celular não está na bolsa, deve ter
esquecido no hotel - “droga! ” –Pensou ela. Apreensiva se dirige rapidamente ao
hospital para onde sua mãe foi transferida. Ela havia adoecido e desmaiado sem
explicação no banheiro de sua casa. Estava desacordada e internada para exames
específicos com intuito de investigar o que havia acontecido. Elian encontrou
com seu pai e alguns familiares no corredor do hospital. Estavam aguardando a
sua mãe sair da sala de tomografia. O resultado do exame estava normal, mas
ainda teria outros a serem concluídos. Sua mãe acordou três dias depois do internamento,
parecia se sentir bem, só um pouco atordoada por não saber onde estava. Elian
havia passado esses dias todos no hospital acompanhando-a sem mesmo ir em casa,
pois na mala que levara na viagem a São Paulo ainda havia roupas limpas. Estava
cansada, porém, ao ver sua mãe abrir os olhos pela manhã, deu um largo sorriso,
sentiu-se mais aliviada. Teve alta no dia seguinte de tardinha. O médico não
soube explicar muito bem qual foi o problema, apenas supôs que, por apresentar
pressão baixa, o organismo da paciente poderia ter sofrido um blackout
(apagão), evitando assim algum tipo de AVE isquêmico. Ao chegar em casa,
acomodou seus pais no quarto de visitas, onde havia uma cama de casal
confortável, uma cômoda com espelho e ar-condicionado. Depois foi preparar um
café e fazer uma ligação ao hotel para saber de seu celular. Ufa! O celular
realmente tinha ficado lá e o enviariam por sedex. Depois do jantar, ela envia
um e-mail para ele se desculpando e explicando tudo o que ocorrera. Sua mãe
ficaria em sua casa por mais ou menos um mês, ela não queria, mas Elian
insistiu. certeza de que tudo estava bem. Quatro dias
depois, seu celular chegou. Ele ainda não havia respondido ao seu e-mail.
Claro, ele estava chateado e talvez nem o tenha lido. Ela resolve
ligar...ninguém atende. Envia um SMS: “Querido, se estiver com raiva eu até
entendo, sumi sem explicação depois de uma noite juntos. Deixei apenas um
bilhete em cima da mesa. Peço que me perdoe. A verdade é que recebi uma notícia
ruim pela manhã. Minha mãe estava internada e em coma...fiquei muito preocupada
e tive que sair correndo para vê-la. Não pense que estou brincando com seus
sentimentos, de forma alguma. Eu amo você e quero te ver novamente.
Responda-me”. Semanas depois,Elian foi com sua mãe fazer algumas compras no
shopping, coisa que as duas gostavam muito de fazer juntas e, no dia seguinte, sua
mãe viajaria de volta para casa. Entre uma loja e outra, ela sente seu celular
vibrar dentro da bolsa. Enquanto a senhora estava no provador experimentando
umas roupas, ela sai para atender...era ele quem estava ligando. Os dois
conversam por um tempo,mal-entendidos são esclarecidos, trocam-se sorrisos e
combinam de conversar mais vezes. Passaram-se alguns dias, já estava na metade
do mês de fevereiro, mas ainda sobrara o resto do mês para aproveitar antes de
começar a rotina cotidiana e dos compromissos a serem cumpridos. Os dois, ela e
ele, decidem então planejar uma viagem em que se curtiriam e se amariam novamente. Uma
praia, Barra Grande, um lugar lindo e encantador. Perfeito para eles. A viagem
foi marcada para um fim de semana, sairiam na sexta de manhã e voltariam no
domingo à tarde. Encontraram-se em Salvador, de lá saíram num táxi aéreo e
aterrissaram na pista de pouso localizada perto da Vila de Barra Grande, que
permite receber aviões de pequeno porte. Os restantes das locomoções seriam
feitas de barco, lanchas ou escunas. Hospedaram-se numa das famosas pousadas
próximas a praia, descansaram um pouco da viagem e foram curtir o resto do dia.
A noite os aguardava. Depois que o sol já se pôs, o movimento começa em Barra
Grande Boulevard. Um espaço fechado com restaurantes elegantes e lojas por
todos os lados. As calçadas cobertas de areia se transformam em caminhos de
grama cheios de arbustos grandes com flores que dão a sensação de estar em um
país das maravilhas. Haviam pessoas de todos os lugares. Vestiam roupas leves à
moda praia. Ela usava um biquíni e uma canga florida que modelava um vestido e
ele, bermuda clara e uma camiseta branca. Desfrutaram da deliciosa culinária e
foram caminhar a beira da do mar sob a luz da lua cheia. A noite estava quente
e vazia ao mesmo tempo, nenhum turista estava passando por ali naquele momento.
Dava-se para ouvir o barulho das ondas e uma música ao longe. Deitaram-se sobre
uma canga na areia. Fizeram amor ali mesmo. O dia seguinte se decorreu entre
passeios de barco pelo litoral, mergulho nos corais e passeios de quadriciclo...havia sido muito divertido. No domingo, Elian não havia acordado
muito bem, sentia náuseas, não tomou café da manhã e almoçou muito pouco -
"Acho que a moqueca de camarão de ontem a noite não me fez muito
bem." - Disse ela. Ele foi buscar uma água de coco e os dois passaram o
resto do dia sentados numa mesa ao redor da piscina. À tardinha, pegaram o voo de volta para casa.
Episódio muito interessante... despertou-me a curiosidade para a leitura dos demais...
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