Quebra de Protocolo VIII – Surpresas e Sentimentos
De volta ao Brasil, ele finalmente se sentia muito mais
aliviado, pois sabia que ela, o seu amor, não estava ali em sua cidade e isso
lhe dava a sensação de calma porque afastara de sua imaginação a ideia de cruzar
com ela em uma esquina, um banco ou em outro lugar qualquer quando menos
esperasse. Ele acreditava piamente que ela havia tomado outros rumos, outros
ares, outros amores, sortes ou azares. Ele queria mesmo era aproveitar aquele
cheiro sentido nos corredores daquele hotel em Paris e poetizar o rosto de sua
amada em forma de toda sorte de arte. Ter visto-a, mesmo que de longe, renovou
a certeza de que um grande amor nunca morre e que da vida só se leva o que se
viveu sem medos, preconceitos ou temores. Durante a semana que se seguia após
aquele turbilhão de sentimentos, ele em uma entrevista ao vivo para uma grande
rádio local que o entrevistava sobre o fato dele ter sido premiado em um evento de arte internacional, ele estava tão embebecido pelas lembranças que chegou a
confundir o nome da repórter por três vezes com o nome da sua amada e mesmo
diante de tal fato ele soube brincar com as palavras e se sair daquele embaraço
com maestria e habilidade, deixando a repórter um pouco constrangida e, ao mesmo tempo com
curiosidade para saber o porquê da troca de nomes por tantas vezes. Seria ela muito parecida com o referido amor dele? Logo em
seguida, ele foi convidado pela responsável por aquele bate-papo na rádio para
almoçarem juntos e discorrer um pouco mais sobre as aventuras literárias de um
poeta. (risos) Ela já havia lido parte de seus romances, textos e poesias e se
sentira atraída pelos detalhes ainda escondidos e não revelados que não sabia
se eram reais ou apenas se eram literatura ou se ambos. Verdade ou não, ela
sabia que aquele homem mexia com ela de certa forma e gostava de ouvi-lo falar
sobre as entrelinhas dos romances e suas construções. Como uma boa mulher feminina
e auditiva logo foi se revelando e se mostrando encantada e louca de vontade de
se tornar parte daquelas linhas de emoção dos encantos de uma boa escrita. Ela
tinha o desejo de ser eternizada por aquele poeta que sabia como envolver e
apreender seus leitores e leitoras, mas aquele momento logo foi interrompido por um telefonema que ele recebera comunicando-lhe que ele precisava atender um
jornalista que publicaria uma entrevista em um jornal de considerável circulação no estado da Bahia. Sentindo que poderia ser tragado por aquela
mulher, logo se despede e parte aliviado de estar livre de uma situação
embaraçosa. No dia seguinte, ele manda um rosa de cor champanhe para aquela
mulher que deu em cima dele descaradamente com um cartão que dizia: “Uma rosa
nem branca e nem vermelha. Não vermelha porque eu não sinto nada por você além
de respeito e admiração. Não branca porque me senti constrangido pela sua
atitude de se oferecer a mim, assim, sinto-me invadido, pois corpos e amores
não são comprados em mercados, muito menos, oferecidos como restos e sobras. O
amor clama por conquistas e sacrifícios. Eu amo alguém. Não tente comprar o meu
amor nem corromper o meu corpo”. Em continuação ao cumprimento de sua agenda de
trabalho e tarefas diárias, ele volta a se concentrar em sua rotina e logo
sente o gosto de ser um homem comum e ser apenas mais um andando pelo transito
caótico de uma cidade pequena do interior da Bahia, Jequié, senti o vai e vem de
pessoas andando pelas ruas, correndo de um lado para o outro fazendo o mundo
seguir o seu rumo à jornada de se ser, de se sentir e de fazer a economia evoluir a passos largos. Meses se passaram e já se estava em pleno período
junino. De férias e solto nas brincadeiras de tal momento, ele resolve passear
pela da cidade quando recebe um SMS dizendo: “Ei, estou aqui em sua cidade.
Estou sentada em em banco da praça. Estou em frente à livraria”. Pensou por
alguns segundos e respondeu. “Quem é?”. Instantes depois, recebe de volta o
segundo dizer: “Sou eu. O seu amor”. Então, ele resolve passar em frente ao
local indicado para saber se realmente aquilo poderia ser verdade. Sentiu seu
ser estremecer, mas foi mesmo assim. Ao chegar perto do Banco do Brasil, na
praça principal, ela a avista de longe. Ela como sempre linda. Estava muito
diferente de quando ele a vira em Paris. Ela usava um Jeans básico. Seus
cabelos estavam curtos, negros e cheios de cachos. Seu rosto estava pálido não
sabendo ele se era por causa do mix de sentimentos ou se problemas outros. Então
ao se aproximar, eles se vêem de longe. Seus olhares se cruzam como se duelassem para ver quem viria primeiro, quem daria o primeiro golpe de vista.
Queria saber quem despiria o outro com a força de um olhar fulminante e sedento. À medida em que a distância era encurtada e ambos se preparavam para
assassinar a SAUDADE de tempos e anos sem se verem, aquele duelo foi logo
impedido pela pessoa que foi umas daquelas que, no passado, havia sido aquela
que junto a outras, ajudou a derrubar um amor lindo e puro, um ex-namorado dela. Sim! O
seu ex-namorado chegara como se soubesse de alguma forma que eles se encontrariam e
selariam o enterro da pérfida e malvada saudade. Ele chegou, deu um beijo curto
no rosto dela e logo uma lágrima lhe rolava do rosto pálido e o olhar fixo
nele, no seu amor, que passava logo ali atrás deles e de frente para ele
que já começava a se afastar em seu automóvel, sinalizando com um aceno que era
um oi e um adeus ao mesmo tempo. Uma metáfora materializada, nua e crua no meio
de uma rua negra e um céu cinzento já quase noite a dentro. Enquanto ela limpava
as lágrimas e tentava buscar uma explicação para justificar para o seu pai o
que estava acontecendo, ele, seu amor, ia sendo tragado pelo congestionamento
voraz que não dava tempo nem oportunidade de se voltar para trás.
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