Quebra de Protocolo VII - Por Ela
“Mais uma
etapa concluída! ” Pensou ela ao entrar no táxi estacionado que estava a sua
espera. A obra premiada foi um de seus mais recentes quadros, o qual foi
titulado por: “A Sala Branca”, na pintura havia uma
sala branca com duas poltronas na mesma cor, uma jovem de cabelos negros e
lisos, usando um vestido branco, sentada de costas para a única entrada que
havia; ao teto estava preso um lustre rebaixado e, dependurados em cada parede
daquela sala, haviam também quadros representando lembranças. O que instigava
era o ar de mistério deixado pela obra, parecia chamar o observador para dentro
da tela, chamava-o para sentar-se na outra poltrona vazia e olhar o rosto da
jovem. A obra prendia o olhar de qualquer um que a fitasse. Emocionada e orgulhosa pelo prêmio tão
esperado, Elian Robert sonhara com o
evento...e tinha sido realmente perfeito. Apressadamente pede ao taxista que a
leve ao aeroporto de Orly, a 14 km do centro, o segundo mais
movimentado do país, perdendo apenas para o aeroporto Charles de Gaulle.
Enquanto o motorista rapidamente se dirige ao destino pedido pela bela jovem, o
celular dela vibra com a chegada de um SMS: “já cheguei...ansioso para te ver!
”. “KK...espere aí, estou a caminho”, respondeu. E assim o táxi seguiu pelas
históricas e admiráveis ruas de paris. Ao descer do veículo, avista de longe quem
estava a sua espera, um homem forte, bem moreno e elegante, alto, com cabelos
lisos e longos presos num elástico (numa espécie de coque), olhos verdes e
cavanhaque bem delineado. O aeroporto estava movimentadíssimo como de costume,
gente de vários lugares e culturas. Sorrindo, vai até ele, que ao vê-la,
retribui o sorriso abrindo os braços para recebê-la. Desculpa-se várias vezes
por não poder chegar a tempo da cerimônia de premiação mas sugere um passeio
após um breve descanso no Hotel Saint Honore. Mais tarde, foram os dois
caminhar no jardim do Palais Royal que está ao lado do Louvre, com acesso
pela mesma estação de metrô. Conversavam e riam de coisas banais...se divertiam
como se tivessem voltado a infância. O lugar era lindo...perfeito para uma alma
inquieta se aconchegar e se deixar levar pelas elucubrações de artista, cheio
de flores, gramado verde e brisa fresca...ela observou ao longe um senhor
simpático distribuindo rosas...seu pensamento foi longe, lembrou-se da primeira
vez que recebera uma rosa, uma rosa presenteada de modo surpreendente pelo seu
grande amor; sim, o seu amor. Imaginou como seria se ele estivesse ali ao seu lado...ah!
Como amava ouvir seu riso, sentir seu cheiro e estar com ele! Mas ela nem
esperava que isso poderia acontecer naquele dia. De repente, sua consciência
foi trazida abruptamente à realidade, como se sua alma fosse arrancada e posta
de volta. Edu Black, seu amigo, a chamara mais de uma vez – “está tudo bem?
Parecia estar em outro lugar agora Kkk vamos parar para comer, o passeio me deu
um pouco de fome”. “Vamos, já estava na hora” disse ela. E foram os dois em
direção aos famosos cafés próximos dali. Sentaram-se à mesa, que ficava na área
externa do café, e logo se aproximaram alguns amigos e artistas que a conheciam
e estavam por ali. Perguntaram educadamente se poderiam se juntar a eles, ela
sorri e responde positivamente. Arrasta sua cadeira para mais próximo de Edu
com o intuito de abrir mais espaço para os convidados e todos arrumam-se ao
redor da mesa, fazem os pedidos após olhar o cardápio e assim iniciam uma
conversa longa e interativa. Após alguns minutos de prosa, ela olha
distraidamente para o outro lado da rua - havia um café quase em frente aquele
em que estava – parecia bastante cheio. Pessoas bem vestidas e desfrutando da
ótima culinária do lugar. Observou mais atentamente um homem sentado à mesa,
também na área externa do outro café, ele usava uma camisa de botão branca por
dentro de um blazer, calças jeans de cor escura e um chapéu branco (estilo
trilby) com uma faixa preta ao redor. Estava sozinho, à vontade, tomando uma
cerveja. Ela fixou o olhar nele por alguns segundos...franziu as sobrancelhas
em sinal de dúvida e, de repente, um choque de adrenalina foi liberado em seu
corpo, seu coração começou a bater freneticamente mais forte. Seria ele? O seu
amor? Não acreditava no que estava vendo. Seu corpo inteiro se estremeceu. As
lembranças que teve mais cedo poderiam estar confundindo sua mente..., mas não,
era ele! Levantou-se da mesa e foi em sua direção. Antes de atravessar a rua,
percebeu que uma mulher se aproximara dele, cumprimentou-o e sentara ao seu
lado. Parou imediatamente na calçada. Quem seria aquela mulher? Não fazia ideia,
certamente alguém que ele estaria esperando. Ficou ali em pé por alguns
segundos e voltou à mesa...achou melhor não ir lá, afinal, o seu amor já estava
acompanhado. Mal sabia Elian que a mulher era apenas uma prima que veio se
despedir...aquele era o último dia dele na maravilhosa Paris. Iria viajar em
algumas horas.
Comentários
Postar um comentário