Quebra de Protocolo VI - O Encontro - Por Ele

Depois de alguns longos anos de silêncio e distanciamento total, mais uma surpresa estava prestes a acontecer na vida daquele casal que há muito havia sido cúmplice de um crime quase que perfeito de amor. O crime era um vassalo e uma princesa loucos de amor um pelo outro que haviam se apaixonado e vivido um momento de amor tão lindo e perfeito que o próprio ser criador dos sentimentos se orgulhou de tê-los criados foram separados por um golpe quase que fatal dos invejosos e impetuosos seres habitantes de terras longínquas da impossibilidade de se deixar ser feliz. Terra fértil que criou murros, barreiras vivas, espinhos e algumas espécies de rancor e dor.  Houve na cidade de Paris, na França, um grande encontro de artistas das mais diversas áreas da Arte Contemporânea no ano de 2018 para a exibição de quadros fotográficos, pinturas em telas, apreciação de poemas, poesias, de obras de artes e tudo quanto mais sobre a arte da abstração. Ali estavam os mais renomados nomes da Arte Moderna, assim como também, nomes de artistas aspirantes e amadores que eram artistas pelo simples fato de contemplar a Arte e fazer dela casa de morada para aqueles que encontram no mundo da abstração um pouco de distração e escapismo do mundo real e doloroso. O lugar era o  Museu do Louvre,  instalado no Palácio do Louvre, que é um dos maiores e mais famosos museus do mundo, fica no centro da cidade, entre o Rio Sena e à Rua de Rival dos Champs-Élysées. Ao chegar naquela cidade ele logo se dirigiu ao Hotel  que era bem próximo ao local do evento. Cansado, pois havia saído de uma série de cerimônias de lançamento, no Brasil, de um de seus mais recentes livros - O SILÊNCIO, romance bem recebido pela crítica por se tratar do poder do silêncio nas relações humanas. Naquela tarde em Paris fazia frio, pois o inverno já se aproximava do continente europeu, assim como, a ansiedade de estar em um evento artístico como aquele, único para qualquer artista, o "Nuit Blanche", Noite Branca, em Português. À noite, recebera a ligação de um amigo também brasileiro que morava naquela cidade há muito, Léo CabelloGrand, intérprete da Língua Inglesa, convidando-o para conhecer um pouco mais sobre aquela cidade linda e ponto principal da história dos mundos. Passearam pelo centro, contemplando a arquitetura e os mais variados tipos de pessoas e costumes. Em um café próximo ao Hotel onde estava hospedado, os dois davam muitas risadas e lembravam da vida que viveram quando jovens na cidade de Jequié, interior da Bahia, conhecida como Cidade Sol. Tempos em que brincavam de futebol no meio da rua, empinavam pipas. Lembravam do tempo do colegial e o tempo das paqueras e descobertas do amor. Entre uma bebida e outra, eles falavam de quanto tudo vale à pena quando a alma não é pequena e de que devemos procurar ser felizes enquanto se tem tempo, saúde e oportunidade. De volta ao hotel e após fazer algumas ligações para o Brasil, ele se deita para relaxar um pouco porque sabia que o dia seguinte lhe preparava grandes emoções. Ao despertar, toma café apressadamente, imaginando o que lhe viria depois. Solicita que o carro do Hotel o leve até o local do evento. Ao passar pelo corredor que dava acesso ao saguão de entrada, ele sente uma fragrância que lhe transporta, imediatamente, a uma cena vivida em seu passado que, por conta do tempo e afazeres, se fazia adormecida, mas que, às vezes, surgia repentinamente em seus pensamento lhe transportando  a momentos de amor e loucura que foram eternizados na história da paixão. Sim, aquele cheiro o fazia lembrar daquele amor. A cena era a primeira. Ela o fazia lembrar de cada detalhe daquela história. Lembrava da árvore e do local em que escolheu para estacionar o carro, do dia frio e escurecido pelo final de tarde, dos risos, da música escolhida propositalmente para fazer o cenário parecer perfeito e tentar atingir o coração daquele amor de menina-mulher dos lábios de mel e alma pura, do carinho dado e recebido, do toque nas mãos, do beijo roubado, da rosa vermelha dada como gesto de amor e selo de lealdade, do cheiro de Quasar borrifado no braço ao se despedirem, da cumplicidade (...). De volta à realidade, ele passara o dia apresentando seus livros e, também, conhecendo obras dos mais variados gêneros. Encontrou amigos. Tirou fotos, recebeu e deu autógrafos. Um momento extraordinário para qualquer artista. Fora aproveitar mais uma noite parisiense com autores e amigos. Participou de um sarau que se estendeu até altas horas daquela noite e foi repousar um já pouco tarde. Na manhã seguinte seria o momento de entrega de prêmios a participantes inscritos sobre diversas modalidades. Aquele seria seu último dia naquele país. Acordou um pouco atrasado e logo se dirigiu para o salão de entrega de certificados e prêmios. Ao descer do táxi, percebeu que seu nome acabara de ser anunciado, mas já era tarde. Não haveria tempo de passar pelo gigantesco salão lotado de pessoas, repórteres, convidados e chegar até às mesas onde estavam os juízes do evento. Lamentando por não ter chegado a tempo, senta-se ao final da sala e observa todos à sua volta. Percebe que naquele instante enquanto se distraíra com os holofotes do momento em que uma obra de arte que havia sido premiada pertencia a uma jovem mulher de traços brasileiros, mas que não foi chamada pelo seu nome real e sim pelo seu nome artístico, DEUSA INTERIOR. Ela recebera o prêmio, agradeceu e logo se dirigiu à saída daquele lugar. Era uma mulher magra, alta, de cabelos lisos e loiros. Aquele rosto veio junto com o mesmo cheiro que havia sentido antes no hotel, no dia anterior. Então, logo se deu conta de que aquela mulher era sim o seu grande amor. Ela estava ali o tempo todo sem que ambos soubessem da presença um do outro. Então, ele abre sua bolsa e procura pelo folder do evento na tentativa de saber pelo nome artístico quem realmente era aquela mulher. Claro. Pelo nome real ele tinha certeza de que era ela. O coração dele pulsava como se estivesse recebendo altas doses de adrenalina. Seu sangue mais parecia feito de endorfina. Então, levanta-se deixando cair a sua bolsa esparramando diversos papeis e rascunhos pelo chão e sai correndo em direção a ela, mas enquanto ele procurava pelo folder, ela havia entrado em seu táxi e partido. Com os vidros fechados ela não pode ouvi-lo gritar seu nome. Ela havia ido para o aeroporto. Parado de pé em frente ao salão de cerimônias ele passava a mão em seu cabelo como gesto de lamentação. Senta-se nas escadarias, lamentando a perda daquela oportunidade. Aquele foi o momento em que eles se encontram sem se encontrar ou saber da presença do outro depois de tantos anos.













  

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