Crack e o fim dos tempos



O ser humano é dotado de muitas características que fazem dele diferente dos animais “comuns” como a capacidade de pensar e ter linguagem sistematizada. Partindo da capacidade de pensar, somos envoltos e tomados pela arte de imaginar. Desde crianças somos arrebatados por grandes histórias/estórias que mexem com a nossa imaginação, e dentre algumas dessas histórias encontramos a tenebrosa, assustadora e tocante idéia do fim do mundo. Quem nunca ouviu ou imaginou o conto sobre de onde vimos, ou como surgimos na terra, e melhor, para onde iremos? Se pelo lado da ciência, contemplamos a idéia do aquecimento global e a extinção do planeta Terra e de quem nele habita, pelo lado cristão nos deparamos com o Apocalipse, com a destruição dos impuros, infiéis e dos não-crentes, o fim do mundo. Não temos para onde correr, pois de um jeito ou de outro, sempre vamos dar de cara com a senhorita morte. Mas voltando ao título deste texto e à idéia do fim do mundo, é mister lembrar de que, sempre ouvimos de rumores de guerras, pais contra  filhos e vice-versa, terremotos, tsunamis etc, vale-nos também lembrar de que o mundo em que vivemos sempre foi palco para desgraças e grandes derramamentos de sangue, mas nestes últimos dias nos deparamos com os  grandes consumos de drogas e com todas as mazelas de que deles provem. Somos gratos pelos avanços científicos, tecnológicos e pelas grandes conquista que nós, seres humanos, alcançamos, mas cabe-nos algumas  perguntas aqui: “a dependência química é fruto de uma dependência emocional?”, “É fruto do vazio?” “Falta de uma boa educação – doméstica e escolar?”  “Até quando continuaremos evoluindo para fora, ao exterior de nós mesmos?” “Até que ponto seremos reféns dos frutos que criamos?” talvez leitor, enquanto você lê este texto, você nem se der conta de que hoje no mundo existem dois tipos de  pessoas. O primeiro tipo é formado por pessoas que não dormem e o segundo por pessoas que não comem. Os que não dormem têm medo dos que não têm nada para comer. Quando me refiro aqui a comer e dormir não é apenas ao sentido literal, denotativo, mas também ao sentido mais amplo. Dormir no sentido de paz, tranqüilidade e, talvez, até de ter consciência tranqüila. É muito fácil marginalizar e excluir usuários de drogas, que muitas vezes são pertencentes a uma classe social desprivilegiada e esquecida pelas políticas públicas do que se perguntar: “o que eu tenho feito para a melhoria de dependentes químicos?”Orado? jejuado? Levado uma palavra de apoio? Criado projetos de lei que amparam tais comunidades e tentam dar um mínimo de chance para sejam tratados? Me sensibilizado a essa questão?  Infelizmente a respostas a tais questionamentos é, na maioria esmagadora das vezes, negativa. É sempre mais cômodo blindar carros, instalar cercas elétricas em residências, contratar uma excelente empresa de segurança etc. não que tais coisas sejas ruins, lembremos de que são frutos de nossas tecnologias e desenvolvimento, porém são muito poucas para solucionar o grande caos que o crack e outras drogas causam: tristeza profunda em todos os membros da família, perdas materiais incalculáveis, desleixe, agressividade e, muitas vezes morte. Morte não apenas dos que estão evolvidos diretamente ao tráfico ou ao consumo, mas também daqueles que se quer imaginam ter alguma coisa a ver com tal situação. É leitor! Pode até ser você ou eu que materializo este texto,  responsáveis pelo aumento, manutenção ou, quem sabe, a mudança; para a melhor da vida do tráfico.                

Do que nós adianta ser dotados de habilidades superiores se no final das contas nossos saldos são negativos? Parece que para nós o encantamento e a imaginação servem apenas para contemplar a desgraça do outro e pensar: “Isso não vai acontecer comigo” ou “ Eu não serei atingido por tal problema” Sinto decepcionar você leitor, mas suas cercas elétricas, seu sistema de segurança privado, seu vidro blindado não livrarão você e sua família das amarras do contexto em que vivemos. Enquanto continuarmos com políticas voltadas para poucos, falta de condições mínimas de vida, concentração de bens nas mão de poucos, nossa capacidade de assistir passivamente a destruição do próximo e a nossa própria, um dia acontecerá o grande encontro entre o bem o mal. Quem sabe em um assalto a banco, ou talvez em um semáforo? Que Deus ou a sorte esteja conosco!   

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ver para crer

Livro Quebra de Protocolo

O que Daniel Alves e Gisele Bündchen têm em comum? Bananas e Saltos!