36 mortes e uma pergunta: “O que Shakespeare tem a ver com isso?”


O acidente que ocorreu na BR 116 nas proximidades do km 100, próximo à cidade de Milagres, na Bahia, noticiado em grandes telejornais como Jornal Hoje, Fantástico, Jornal Nacional, da Rede Globo de televisão, entre outros grandes jornais do país e do exterior,  que teve 36 mortos, acidente que envolveu um ônibus e duas carretas, nos impõe algumas perguntas tais como: “Estamos preparados para a morte?” “Estamos preparados para perdas bruscas de entes-queridos?”. Ao nos deparar com perguntas como essas, talvez pensemos, imediatamente, no que virá após a morte. Mas aqui, o que nos vem à cabeça é a imaginação do que estas vítimas gostariam de estar fazendo agora, neste exato momento, enquanto você se debruça sobre este texto ou ainda; o que as pessoas ligadas direta ou indiretamente a elas gostariam de fazer com/a elas se tivessem uma última chance a seus lados? É. Parece que Shakespeare estava mesmo certo quando disse no poema “Um dia você aprende que...”
[...] Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos [...]”. Em meio a tantas tarefas do dia-a-dia, muitas vezes, nem nos damos conta de fazer uso de algumas frases-chaves que nos ajudam a viver melhor e, principalmente, a quem vive ao nosso redor, frases do tipo: Eu te amo”, “Desculpe-me”, “Ajude-me” e por fim “Muito obrigado”. Dizem que as palavras têm poder. Se realmente têm, ainda parece-nos bem distante a fascinação de descobrir e fazer uso dessa magnífica forma em benefício próprio, pois o que se vê na vida diária são pessoas tratando e sendo tratadas de forma muito rudimentar e grosseira; verbalmente falando. É comum ver em velórios pessoas chorando muito a ponto de desmaiarem, gritarem. Algumas pela dor emocional, outras pela ideia de nunca mais poder ver seu ente-querido novamente, mas algumas choram de remorso. Choram simplesmente porque tiveram a oportunidade de fazer o que Shakespeare diz e o que as palavras-chaves expressam mas não o fizeram. O objetivo do ser humano na terra vai além de simplesmente perpetuar a espécie. O principal deles é ser feliz. E ser feliz também significa fazer o outro feliz. Não somos ilhas, vivemos em comunidade. Imagine como seria a corrente da felicidade, onde um feliz faria o próximo feliz e assim por diante. Tudo seria mais tranqüilo e harmonioso, mas não. O que fazemos é ler algo como este pequeno texto e dizer: “isso é impossível”, “Romântico demais”. Assim, a nós nos resta não apenas imaginar o que as pessoas direta ou indiretamente ligadas às vítimas desse acidente fariam, porque afinal, não saberemos a resposta, mas quanto a nós? Shakespeare sabe!     

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