A vida
A vida é como um respirar que se sente ao abrir uma janela de frente. Um mundo, um sentimento profundo. Uma visão esfacelada pelo momento em que se é ou em que se está. Pensamento líquido que se derrama em tantas outras formas sólidas. Tanto que se quer ter certeza de tudo, que a vida vai passando segundo a segundo, diante do abrir e fechar de portas e janelas, e, não nos damos conta de que para se viver de verdade, é necessário se extrair, até de pedras-maldade, felicidade-de-idade. Cada idade nos traz uma felicidade de fase. Amar algo ou alguém; qualquer um ama. Algo, Alguém e Um são palavras de semântica indeterminada; indefinidas. Às vezes, ou muitas, quem quer amar Algo, Alguém ou Um, acaba por amar Ninguém. A porta se abre e a janela se fecha. Lembranças são como novelos de lã que se desfazem como flechas lançadas em toda sorte de estradas inanimadas. Corpos que se tocam são amostras de perfume em embalagem pequena e passageira. Almas que se beijam são reinos que não se queimam, não se deixam queimar, não se permitem partilha; apenas se espelham no eterno sol e luar que são diferente do abrir e fechar de janelas e portas. Imagens tortas são como chave sem porta; janela sem rota; sem olhar. Entre tantos respirar, uma hora ou outra a verdade vem nos perturbar, apressa-se em nos mostrar que não vale à pena julgar os amores sem cores, pois; são eles edificadores de torres de sabores mais fortes que tocam o arco-íris do pensar do não-se-machucar com paixões sem motores; incapazes de ligar, levar a algum lugar de luar. A vida é como um respirar que se sente.
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