E de repente ... Por Ela
E de repente o trânsito para. Uma sensação, uma energia tomara conta dela em meio aquela grande avenida - a Avenida Rio Branco, na cidade de Jequié, na Bahia. Cidade do interior que tem a capacidade de revelar grandes amores e externalizá-los para o mundo dos romances, sabores e cores. A Cidade Sol estava envolta por um clima agradável e suave. Algo anormal para uma cidade que, em seu ápice, já atingira quarenta e oito graus. Após saltar daquele carro branco hatch em uma esquina transversal, ela logo percebe uma energia diferente que começara a envolvê-la por inteiro. Era uma brisa diferente. Crera profundamente que aquele sentimento só poderia ser algo de sua cabeça. Algo que pensara já não mais fazer sentido algum, uma vez que estava ali apenas de passagem, de visita à sua terra natal, pois adotara a grande Bahia como casa - Salvador. Certa de que seria apenas uma falsa sensação, ela continua seguindo seu trajeto até o lugar pensando em ir, mas algo lhe paralisa e lhe faz ter a certeza de que estava sendo observada ou atraída por algo ou alguém. Não! Aquilo só poderia ser uma loucura de sua cabeça. Para, olha para os quarto cantos da avenida e não consegue enxergar nada além do trivial, rotineiro, comum e já conhecido a seus olhos e memórias e histórias e noites e leitos... Segue andando até o destino planejado, sendo tomada por uma forte lembrança de que por aquela estrada há muito passara acompanhada de seu grande amor . . . Ao olhar para um anúncio, tinha tido a certeza de que aquilo já não era mais coisa de sua cabeça. Era real! Viu nele, então, a divulgação de um famoso e marcante perfume. Sim! Cheiro que ele, seu amor, fazia questão de deixar borrifado em seu braço sempre que ia partir ou se despedir. Cheiro doce e másculo que embalara e regava as doces lembranças de um amor forte e eterno. Para completar ou confirmar aquela grande dúvida que lhe deixava confusa e cheia de dúvidas, passa do outro lado da rua um outro carro tocando uma música que costumava ouvir quando se encontrava completamente perdida e totalmente entregue a seu grande amor em noite e dias intermináveis. É, então, surpreendida e obrigada a voltar à realidade que era muito mais triste e dolorosa do que podia prever ou imaginar por o buzinar daqueles que voltaram para lhe levar para casa. Não sabia que seu grande amor do passado havia morrido exatamente naquele cruzamento anos atrás em um grave e terrível acidente. Entra no carro. Silenciosa, calada e visivelmente abatida, deixa fugir uma lágrima longa e quente que lhe trazia as mais profundas e inquietantes perguntas. Logo, tivera a certeza de que havia algo de especial naquele dia, a princípio, tão comum. A música dizia: " Pois se os mortos amam, depois da morte amam mais"
"Para sempre vou te amar. Te amar. Pra sempre vou te amar!" Pensava ela em seu mais profundo e secreto pensamento. No fundo de seu pensar e alma, sabia que foram capazes de viver uma amor lindo, puro, verdadeiro, intenso e inteiro. "Tá combinado assim: A gente não disse adeus! Tá combinado assim".
.

Comentários
Postar um comentário