Quando tudo termina: Dor ou Libertação. A escolha é sempre nossa!
A
vontade de querer estar junto, de querer sentir o(a) outro(a) surge da
contemplação da materialização da beleza concreta; somada ao entrelaçar das
palavras por meio do discurso. De como se vestem, de como articulam corpo, alma
e espírito. O cheiro que exala dessa combinação é mais forte, penetrante e
marcante do que qualquer essência criada pelo melhor boticário da terra e
terras. A música da novela que embala o casal protagonista, agora, forma o pano
de fundo de novas histórias de amor e paixão de outrem. O primeiro olhar é como
o encontro de águas diferentes, mas que se encaixam e se penetram. O primeiro
encontro, a primeira conversa. Tudo planejado milimetricamente para agradar e
se agradar. Fala-se apenas o que se quer. Ouve-se somente o que é aprazível ao véu de paixão. Os defeitos são minimizados e descritos sob forma de resenha. Vira brincadeira e descontração. Os amigos e colegas são, a partir disso,
coadjuvantes, uma plateia que torce por um final feliz. Alguns são contra,
outros a favor ou neutros. O primeiro beijo é planejado e composto como música
clássica regido por corpos sedentos de vontade e vontades. Andam-se de mãos
dadas, rindo e falando de coisas impossíveis. A distância geográfica não é tão
cansativa e dolorosa quanto a física. O tempo agora já não é tão relativo. A
eternidade parece cada vez mais distante e efêmera. Cada foto tirada juntos
passa a compor um acervo de obras de artes pintadas por deuses e deusas
descendentes de Afrodite guardadas a sete chaves no centro da cidade de Afrodisia. Comemorações e períodos festivos perdem o sentido se não se passar
ao lado do Amor. Seria como tomar cerveja sem álcool. Uísque sem gelo. A
felicidade se torna completa a cada mensagem de “bom dia” mandada por rede
social ou um comentário de “eu te amo” no roda pé de uma foto em que todos
podem saber que o amor existe e que aquela declaração é prova viva disso. Então
a famosa música se torna Flashback, embalando lembranças e liberando
neurotransmissores de prazer. A certeza de um amor eterno constrói a força para
se fazer juntos, para se abrir mão de sonhos próprios em favor do que se é comum
à vida a dois, à felicidade. E já não importa por quantos caminhos se vai ou por
quantas outras portas se passe. O cheiro do perfume sempre vai estar lá,
trazendo boas lembranças, atormentando a vida presente ou teletransportando a
momentos tão secretos e íntimos que somente o ID seria capaz de tentar reviver.
Abrir mão de coisas e pessoas por quem se ama sempre é a melhor opção. Entre um
“sim” e um “não”, deve-se sempre haver uma balança, um equilíbrio, uma
ponderação. Não há razão para se
desesperar ou jogar lágrimas ao chão. O tempo passa. O cosmo se reordena.
Algumas estrelas se apagam enquanto outros astros surgem. O contexto é
reescrito. As palavras se reagrupam. Os desejos já não são mais os mesmos. As
cortinas se fecham. Os palcos giram. O foco já não pode ser o mesmo. O amor já
eternizado passa a ser projetado em outrem. O que se viveu é carinhosamente
lavado, dobrado e guardado numa caixa de memória bem lá fundo da mente e
coração. Uma nova porta é aberta. Uma nova chave forjada. Seriam os
relacionamentos como a morte no sentido de se saber quando se nascem mas não
quando hão de morrer? O que se deve
ficar? Por que tudo que se amou e se apaixonou tende a ser, na maioria das
vezes, demonizado e apedrejado? Por que não se entende que se não deu certo a
fusão de almas e corpos em amor eros pode-se fundir em amor fraterno? Se
soubéssemos o quão a vida é preciosa e
quão as relações podem ser eternas, faríamos regressões contínuas em divãs com divos e divas. Se
soubéssemos que cada sentimento mau nos deixa distantes da eternidade e nos
aprisionam a alma em câmaras amargas de fogo eterno, andaríamos, a pé, a terra
inteira em busca de perdão e libertação.
O bom é saber que para tais coisas não há manual de instrução e o que
cada um tomar por decisão, assim o será. Não cabendo a ninguém a culpa de uma
não-libertação. A chave sempre estará à mão,longe do alcance de outros, cabendo
apenas a quem sente dor, libertar e libertar-se. Claro que não se deve viver um
amor que espera um outro amor, mas viver um que seja capaz de renovar,
renovando-se em pensamentos e ações. O que fica após o término: Dor ou
Libertação. A escolha é sempre sua!

Nossa lindo..
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