A verdade é aquilo que conforta a alma.

Ela sabia que eu veria aquela foto. Postou ao lado de algumas pessoas. Coadjuvantes, claro. Mas o recado era óbvio. Vi a leveza e a felicidade em seus olhos estampadas como a lua e as estrelas, dando configuração e sentido ao céu escuro e negro. Seu riso breve e tímido revelava-me coisas que só é possível perceber por meio da sensibilidade de almas. O cenário apresentava traços típicos da Bahia e de seu manto gótico mítico-religioso. Sob este pensamento dicotomizado por minha percepção de poeta mortal e passageiro, indaguei à minha mais profunda lembrança: " Queria ela renovar o meu olhar, memória e mente com uma antítese do acaso?" Vai entender o que se passa no coração dos amantes apaixonados e errantes. Penso que, em meio a tantos fragmentos e partes que compõem o meu ser, a verdade é sempre aquilo que conforta meus pensamentos e afugenta meus medos. Não há instrumento que apague aquilo que o cérebro preteritamente amou. Perpetua-se no coração para nos alimentar nas horas de dor.  A verdade é: "Ela sabia que eu veria aquela foto".






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