FÓRMULA PARA A FELICIDADE
Em continuidade a algumas
atividades que considero essenciais em minha escala de valores e necessárias
para viver em um mundo marcado por exigências, de estarmos cada vez mais
imbuídos em um processo de evolução para ser mais humanizados, dei início à
leitura de mais um livro em dois mil e quatorze. O livro “O QUE TODA MULHER
INTELIGENTE DEVE SABER” para tentar compreender mais um pouco sobre o ser
mulher e aprender a lidar melhor com este que é maioria em nossos bilhões de
habitantes da Terra. Logo nas primeiras páginas me deparei com a seguinte
explicação aos leitores: “Nós temos certeza de que existe uma maneira
mais fácil para uma mulher se tornar inteligente — uma maneira mais fácil de
aprender a ser sábia ao lidar com os relacionamentos e não precisar passar por
experiências traumáticas que muitas vezes acompanham a aquisição desse
conhecimento. Como? Simplesmente ouvindo e assimilando as experiências de outras
mulheres. Sabedoria sem sofrimento, compreensão sem angústia, descobertas sem
melodrama — é disto que trata este livro. As mulheres mais inteligentes sabem
que não precisam sofrer para se tornarem inteligentes”. Logo me
inquietei sobre a questão: existem fórmulas para a felicidade? Depois de juntar
alguns fragmentos de pensamentos, reformulei esta pergunta e cheguei à outra:
Existem fórmulas para a felicidade sem se ter sofrimento relacionado à
aprendizagem para se ser feliz? E claro que muitas outras daí surgiram, mas me
limito a estas duas apenas para uma breve exposição de algumas vozes gritantes
em mim sobre o tema e que podem trazer uma visão um pouco além do que o mundo
nos propõe, principalmente aos quem lêem. Ler é uma necessidade e um exercício
para a memória, mas armadilhas residem nas entrelinhas de cada pensamento tido
e/ou aprendido ao ler determinada obra. Seriamos capazes de ser mais
inteligentes apenas nos limitando ao “conhecimento” já produzido por
outrem? Podemos mesmo nos livrar das experiências
traumáticas? Qual seria, então, a função do TRAUMA? Apenas ouvir e assimilar experiências
nos fazem aprender? É mesmo possível se ter descobertas sem melodramas? O que é
ser mulher inteligente? Será que é saber que não se precisa sofrer para aprender?
Analisemos. A grande questão aqui é APRENDER SEM SOFRIMENTO. Parece-me que os
autores ao escrever o livro estavam mais preocupados em vender uma idéia
apenas. Claro que em um mundo cada vez mais cheio de opções, não sentir dor ao
aprender seria a fórmula ideal para a um mundo pós-moderno. Com isso
arrecadariam milhões de dólares, uma vez que são americanos. Mas o que me
preocupa e me faz escrever este texto é a questão perigosa que tais ideias podem
trazer, não só a nível consciente, mas inconsciente também, aos que desesperados em chegar a um
ponto desejado eliminando a dor. Deixo claro que a aprendizagem deve se dá por
meios prazerosos não eliminando a possibilidade de ser ter a parte “chata”
dela. Por exemplo, saber quanto se tem na conta bancária é muito prazeroso, mas
se sabe que tais números expressos em um simples extrato é resultado de um
sistema que envolve outros sistemas pelos quais se passa quando se é estudante
como teoremas, fórmulas etc. e que nem sempre gostamos. Não eliminemos, aqui, a
profunda questão sobre o que é inteligência e o que é ser inteligente. Questão
que se discute desde o período pré-socrático até os dias de hoje com as
Inteligências Múltiplas do americano Howard Gardner. Outro ponto em questão é
que, quem tem conhecimentos básicos sobre psicologia do desenvolvimento e sobre
psicologia da aprendizagem, sabe que, pelo que é apresentado e proposto por
estudiosos e teóricos como Jean Piaget,
Lev Vigotsky, Wallon e tantos outros,
não pulamos fases de desenvolvimento e, conseqüentemente, não pulamos
aprendizagens e por último, o que é inerente a elas. Como inerentes a elas se
têm, não apenas o conhecimento, o prazer de se saber algo, mas também as
“dores”, os “traumas”, o lacrimejar dos olhos na hora da leitura, o doer do
bumbum depois de horas de estudo, a dor do choque após se enfiar algo metálico
na tomada elétrica por curiosidade do que acontecerá etc, etc e etc. O milho
para ser uma linda pipoca precisa passar pelo fogo. A borboleta precisa passar
pela dor de sair do casulo. O próprio ato de ser humano começa com a dor de
invadir uma membrana e com a dor der ser invadido por um esperma. Nascer é
“traumático”. Sair de um útero quentinho e aconchegante para ficar sabe lá onde
e sabe lá com quem é, talvez, uma experiência traumática inconsciente. Deixar
de ser criança para ser adolescente e depois adulto e depois entrar na terceira
idade e, por fim, sair da vida, morrer, é também traumático. Quem sabe beijar,
fazer sexo ou qualquer outra coisa com excelência e maestria sabe que tudo teve
um começo. Para haver aprendizagem, deve haver mudança. Se ser inteligente dá “trabalho”, imaginemos
ser sábios em relacionamentos! Ser sábio está além de simplesmente se ter
muitas informações. Ser sábio é ter qualidade de pensamento. Sabemos que para
se ter qualidade tem que haver processo, desenvolvimento. Sair dá zona de
conforto. Sair da inércia. Ter trabalho. Ter deslocamento. Tocando em miúdos,
não se pode eliminar a dor de ser. Não se pode eliminar a aprendizagem sem
esforço. Se atalho fosse bom, não seria atalho, seria caminho. Meu maior recado
neste texto de reflexão é que os problemas da humanidade são os mesmo desde que
o mundo é mundo, a diferença é como cada um de nós APRENDE e SABE lidar com
eles. Tudo tem valor, inclusive a dor, o trauma. Nenhum sentir é prejudicial. O
que pode ser prejudicial é o que se faz com o que se SENTE. Estes pensamentos
dão pano para manga. Deixo aqui não só o convite à leitura do livro em questão,
mas também o convite à critica e à analise por parte de quem está lendo.
Excelente reflexão e para endossar uso a seguinte frase de Arnon de Melo: As dificuldades ensinam e fortalecem; as facilidades iludem e enfraquecem. Seja você mesmo(a) independente das situações ou circunstâncias, o importante é saber-ser, saber-conhecer, saber-fazer e saber existir.
ResponderExcluirPerfeitos pensamentos, seus e o de Arnon de Melo! Muito grato por ser minha leitora! É uma honra!
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