O vulto da meia noite

O vulto que desapareceu.
Se era para fenecer,  por que, então, fez chover, renovar e florescer?
Desapareceu...
Feneceu...
Luar que se encheu de luz e breu... portas fechadas a Romeu.
Ela é uma hipérbole - vai do 0 a 100 quase sem olhar ou pensar em alguém. Um exagero.
Beijo marcado por tempero de desespero. Na verdade, o corpo inteiro é um portal de cantos e canteiros - como águas de um ribeiro ela chega e vai.
Parte como portais  que se abrem e se fecham em velocidade quase que da luz, de um piscar de olhos que seduz e conduz para mundo e mundos desnudos a dentro.
Tempo.
Quem controla o tempo quando se estar cheio de sentimento-menino-mulher?
Sabe-se que você não quer. Explicação e justificativa há.
Pior do que haver portas e portais é não pode passar por eles por não ter se podido chegar nos horarios-locais-iguais.
O vulto foi e veio. Vulto que desapareceu assim que a esperança se perdeu quando a noite se foi e o dia amanheceu e reconheceu que mesmo sendo Romeu, não há  portas e portais quando ao tempo não se mereceu.
Feneceu sim que eu sei.
Só há uma coisa  capaz de curar um trato-tempo-portal perdido: um coração partido por não se ter devolvido ou retribuído uma roupa trocada para se esperar. Sono, escada, almofada.
Safada e bandida é a alma que quer tudo e nada de uma só vez.

Pior do que isso é não ter tido nem a chance de se ter sonhado ou ficado iludido. O bom de sonhar e desejar é que lá, nos sonhos, podemos ser Romeu, ateu, judeu ou memória-Museu. Mas acima de tudo é que sei que vem aqui pegar o meu sofrido e belo escudo do perdão. Perdão não é apenas remédio - é solução que purifica alma, corpo e coração.

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