Beijar a tua boca

Beijar a tua boca é  aproximar o abismo que há entre mim e ti.

É sentir-se mais perto do céu, à porta do Paraíso.

O infinito se faz criança dentro de ti.

O sol te contempla na terra dos viventes-ardentes.

Beijar a tua boca nua e crua é como ser o dono da Lua dentro de ti.

Sentir e querer são complementos de sentimentos a dentro. A sóis. Em nós.

Lençóis são pouco para abraçar a cumplicidade - idade esparramada pela cidade. Cidades. Bahia.

Noite e dia. Sol e Lua. Minha alma tão tua se alegra e se faz nas terras de deuses e mortais.

Bocas são portais que atingem a vontade inatingível do desejo fugaz que se esconde por detrás de beijos reais.

Beijar a tua boca é assanhar a alma e viajar com calma por portos, cais e portais; dias e noites como se faz.

Beijo bom é beijo de línguas sem iguais. Reais como o fogo que forja o teu ser voraz.

Beijar a tua boca é acalentar o corpo vadio, alimentando o vazio que a tua falta faz.


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