Disfarçar pra quê?

Não dava para disfarçar mesmo! A imagem era clara. Não havia riscos, sombras ou embaraços.
Ombros caídos, olhos fundos e turvos. Rosto pálido e frio. Não usava saltos ou roupas de luxo. Apenas uma Melissa lhe confortava os pés trinta e cinco. Deveria ser uma festa, uma comemoração, mas o que quase ninguém via eram degraus que conduziam sua ânima até ao mais profundo de uma alma vazia. Seus olhos tentavam, sem sucesso, encontrar algo que a preenchesse de alguma forma. Pousava para fotos. Forçava sorrisos. Tentava agradar a todos. Isso ela fazia muito bem, pois os que ali se encontravam pouco se preocupavam com seu real estado de espírito. Tantas perguntas sem respostas lhe pesavam as costas e lhe traziam frio nas mãos e inquietação no entrelaçar nos dedos. Sentia-se como se estivesse colaborando na construção de sua própria prisão. Isso mesmo! Uma prisão que lhe supria as necessidades básicas e temporárias, mas que a matava na mesma medida e intensidade. Era o preço mais barato pelo qual havia comprado passagem para ir vivendo de jeito qualquer desde que ela havia decidido, ou lhe impunham, que teria que ser daquele jeito. Tentava por em seu coração e mente que ele deveria ser como um arque inimigo. Um ser cujo nome não mais poderia ser dito em alta voz. Deveria ser totalmente abominado. Apagado como um erro cometido a lápis. Disfarçar pra quê? Na vida quanto mais se repele, mas se atrai. A letra do nome dele jaz no meio dos dela. A barba modelada e única está copiada e cravada nas faces dos que a aprisionam e a mantêm no cárcere. O gosto do cigarro pode parecer diferente, mas a faz pensar que é realmente ele. Por instantes, ela pensa  profundamente se vale à pena continuar assim (...) A vida passa tão de pressa. Os disfarces apenas servem para acelerar a dor!                

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