A culpa é sua!


Quem te disse que eu nunca fui seu? Você não se lembra que já fomos um só corpo e uma só alma? Claro, não nesta vida, mas em um momento fragmento de tempo que não cabia no Espaço meu e teu. Eu confesso, quase sem querer, que sempre senti a sua falta. A tua saudade me atraía todas as vezes em que eu me encontrava livre de meus prazeres fugamentosos e que serviam de amparo para preencher a falta de minha parte andrógena de você, distante de minhas paixões, do gole seco e suave de vinho que me prendia em muitos corpos físicos e corpus abstratos, sempre em que eu me encontrava sozinho e sóbrio em um canto de rua com corpo nu e exposto, sempre que me lembrava da minha parte faltante. Fui errante  forçadamente por tanto e santo.  Saiba que o “OI” que te dei me custou anos e vidas não vividas, pois tive que barganhar com o Criador a troca desses pela materialização, quase que wifi, de uma simples saudação à minha paixão maior, à minha ninfa que certamente me valeria muito, ainda que isso me custasse uma bala de prata ou uma estaca cravada em meu coração. Eu queria muito entrar, não apenas em sua casa, mas em seu ser. Tocar a tua boca, arrancando de teu querer arrepios de prazer que te entregam e te deixam totalmente exposta a mim a tua escrava.
Daria meu corpo, alma e espírito, mas eu sabia que no fundo você não queria mesmo que eu estivesse ali dentro de você.
Sabendo que a CASA estava aberta não valeria à pena entrar. Sabia que você estava apenas me testando. Eu sei que o que realmente queria era que ALGUÉM batesse nela, te chamasse, se esforçasse para te ver, te ter e para te possuir. Você sempre deixou claro que você não me queria como Pronome Indefinido ou ser sem coração mantido somente porque os deuses o deixavam viver misericordialmente entre aqueles que realmente amam. Sendo assim, eu apenas passei. Sei que me percebeu, sentiu a mim quase que como fibra ótica. Foi bom te contemplar, segurar a tua mão e me deslizar sobre seu pescoço nu. Senti isso quando você deixou escapulir um sussurro breve e tão cheiro de vontade de mim que o meu desejo foi  de trocar a eternidade por um momento-matéria junto a ti.
 A tua interrogação eu deixei como sinal de que mais vale à pena saber  que já fui teu e que você já foi minha do que nunca termos sentido nada, não ter vivido nada, não ter sido nada. Nesse caso, sigo sendo apenas um ALGUÉM para você que não fez tanta questão de me ter como ser inteiramente seu. Não fique por aí, às esquinas, reclamando e pestanejando sobre a tua dor de ser sozinha. A culpa é sua e ela lhe chegará parceladamente, aumentando a sua dívida com a VIDA não vivida. Os juros poderão lhe ser mui altos. “Se eu não vim para entrar, por que eu passei à porta?” É simples! Portas sempre estarão abertas, escancaradas. O problemas é que falta, muitas vezes, algo que transporta de um lado para o outro. Uma chave, um convite, uma certeza. Quem me garantiria que ao passar por ela você não me aprisionaria para sempre em seu calabouço, me fazendo de cartão de crédito ora me pondo em uma carteira ora me tirando do bolso? Eu não posso ser um VISA quando você não quer ser-mulher. Eu não posso te dar lucros quando você não investe em mim, não faz depósitos de si mesma! As tuas dúvidas são as tuas recompensas hereditárias compradas por ti por meio de meu sangue inocente. Sendo desse jeito, fecha a tua porta e me deixe seguir em frente!




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