Pingos de Tinta
Queria mesmo é ser um ponto de nada
Uma noite fria e encabulada de todas as sortes
de contos de fada
Um jornal velho e lido deixado de lado com
notícias sem importância do passado
Não queria ter sido regado e jogado em um
período qualquer da história
História qualquer, cruzada com tantos contos
de réis e de nada
Não
queria fazer parte de um mundo que nem sei ao certo quem o fez ou quem o criou
Agora,
diga-me que culpa tenho se possuo um pensamento tão “senhor”?
Queria
ser constituído apenas de palavras soltas e tolas
Sou
significado ou significante? Às vezes tão sóbrio, outras tão errante!
Pequeno
de alma, grande de pensamento por dentro
Fragmentos
de tempo esparramados por fatias de ventos
Uma
pincelada no quadro da vida
Um
ponto de nada solto em cativeiros sem entradas ou saídas
Entre
tantas idas e vindas o que fica é a admiração das partidas
Quadro
manchado por pingos de tinta.

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